Política

Proximidade com Mendonça vira munição contra Messias no STF

Em meio à crise no Supremo, Lula é aconselhado a trocar Messias por Ricardo Couto para a Corte; Gilmar Mendes reclamou de ‘inação’ da AGU em relação a Mendonça

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Iander Porcella
Ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil

Ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias | Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil

Parte do PT identificou uma tentativa de desgastar o advogado-geral da União, Jorge Messias, em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com petistas ouvidos pela Coluna, a proximidade com o ministro André Mendonça, que está no centro do imbróglio na Corte, virou munição contra uma eventual nova indicação do AGU para o Tribunal.

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Depois de o plenário do Senado rejeitar o nome de Messias em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse em público que o nomearia novamente para o STF. No entanto, o timing para a nova indicação não foi definido.

Nos últimos dias, Lula tem sido aconselhado a trocar Messias pelo governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto. A gestão do desembargador é bem avaliada pela população, e ele tem recebido uma série de elogios públicos do presidente da República. Aliados do AGU veem “fogo amigo” contra ele.

Messias teve Mendonça como um de seus principais cabos eleitorais no processo de indicação ao STF. O ministro trabalhou pessoalmente, sem sucesso, para que o nome do AGU fosse aprovado pelo Senado. Além de amigos, os dois compartilham da fé evangélica. Mendonça é pastor presbiteriano e Messias, membro da Igreja Batista.

Mendonça sempre foi visto com desconfiança entre petistas por ter sido indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O “pé atrás” cresceu após os vazamentos de mensagens que implicam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em inquéritos que investigam o filho mais velho do presidente sob a relatoria do magistrado.

Nesta semana, a crise institucional escalou depois de Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que aponta o ministro Alexandre de Moraes, seu colega no STF, como interlocutor frequente do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A medida foi tomada no âmbito das apurações do escândalo do Banco Master, que também estão sob o comando de Mendonça.

Em conversa com Lula na terça-feira (1º), o ministro Gilmar Mendes, do STF, apontou inação da AGU em relação a reclamações da cúpula da PF contra Mendonça. A alfinetada foi vista como uma tentativa de desgastar Messias.

No relatório tornado público por Moraes nesta quinta-feira (3) para pedir abertura de investigação contra Mendonça, a PF apontou que a AGU se recusou a recorrer ao STF contra decisões “de perfil atípico” nos inquéritos, como “controle prévio sobre alterações na equipe de investigação” e “determinação de entrega do acervo bruto em momento processual inadequado”.

Nos bastidores, a rejeição do nome de Messias para o STF em abril foi atribuída a uma articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas também à atuação de ministros da Corte como Moraes, Gilmar e Flávio Dino. O motivo, segundo interlocutores dos magistrados, seria evitar que o AGU se unisse a Mendonça na Corte.

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