Ministro da Fazenda nega discussão sobre tabelar taxa Selic
Informação sobre possível reunião de Lula com o economista André Lara Resende, que defende o tabelamento, passou a circular no mercado financeiro
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou suposta reunião com o economista André Lara Resende | Washington Costa/MF, Geraldo Magela/Agência Senado
Passou a circular no mercado financeiro neste domingo (1º) a possibilidade de uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o economista André Lara Resende, que tem defendido uma espécie de tabelamento da Selic, a taxa básica de juros.
No entanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou à Coluna que haja qualquer discussão nesse sentido no governo e também afirmou que não há encontro previsto entre Lula e Lara Resende.
“Não tem”, disse Durigan, ao ser questionado se há debate interno sobre a proposta de Lara Resende. “Sem reunião”, emendou.
O tema é delicado porque há uma desconfiança do mercado sobre o compromisso fiscal de Lula para o quarto mandato, o que já se refletiu na queda do Ibovespa, índice da Bolsa de Valores brasileira, e na alta do dólar após a reeleição do petista.
O temor no mercado cresceu após a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) compartilhar nas redes sociais um texto escrito por Lara Resende, em 25 de setembro. “Artigo de André Lara Resende, publicado em 25 de setembro, é fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”, afirmou a petista.
No texto, o economista defende obrigar o Banco Central a tabelar a Selic num intervalo entre a meta de inflação, hoje em 3%, e a taxa de crescimento nominal potencial, que é a meta de inflação somada ao crescimento real potencial do país, o que seria algo em torno de 5,5% ao ano.
“Só em casos excepcionais, autorizados pelo CFMN, a taxa básica poderia ser inferior ao piso - a meta de inflação - ou superior ao teto - o crescimento nominal do PIB potencial – do intervalo”, propõe Lara Resende.
A taxa Selic está hoje em 13,75%. Pela proposta de Lara Resende, a queda ocorreria de forma gradual, ao longo de 12 meses. O economista chama esse modelo de “novo regime fiscal e monetário”.
Lara Resende culpa o patamar da taxa Selic por parte do desequilíbrio fiscal do país. O economista argumenta que os juros altos deixam mais caro o pagamento do serviço da dívida pública. A trajetória insustentável da dívida, na visão dele, seria em parte efeito da Selic e não apenas do nível de gastos do governo.
























