Dólar tem maior alta diária em 27 anos após vitória de Lula
Moeda norte-americana encerrou o primeiro pregão após o segundo turno com um avanço de 8,34%, a R$ 5,41; bolsa despencou quase 14%
Caio Barcellos
Dólar tem maior alta diária em 27 anos após vitória de Lula | Reprodução/Freepik
O dólar comercial disparou 8,34% nesta segunda-feira (26) e encerrou o dia cotado a R$ 5,4070, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foi a maior valorização diária da moeda norte-americana desde janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou o regime de câmbio fixo e passou a permitir que a cotação fosse determinada pelo mercado.
A moeda chegou a atingir R$ 5,6030 durante a manhã, com valorização superior a 12%, mas perdeu parte da força ao longo do dia. Na sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais, o dólar havia encerrado cotado a R$ 4,99, com queda de 0,92% no dia e de 1,58% na semana.
A disparada ocorreu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), que contrariou as principais pesquisas e as expectativas de parte dos investidores. O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, e conquistou um quarto mandato presidencial após reverter a vantagem obtida pelo senador no primeiro turno.
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O resultado provocou uma reversão do movimento registrado desde a primeira votação, realizada em 4 de outubro, quando Flávio terminou à frente de Lula. No dia seguinte, o dólar havia recuado 4,11%, na maior queda diária desde 2018, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 7,70%.
A reação negativa começou ainda na noite de domingo (25), quando os contratos futuros do real negociados no exterior registraram forte desvalorização após a confirmação do resultado eleitoral.
Juros futuros
Ao longo desta segunda-feira, a alta do dólar foi acompanhada por uma disparada dos juros futuros, que refletem as expectativas dos investidores para o custo do dinheiro nos próximos anos. O contrato com vencimento em janeiro de 2029 chegou a 15,03% ao ano, ante 12,60% na sexta-feira (23), enquanto o de janeiro de 2035 atingiu 15,38%, contra 12,68% no pregão anterior.
A forte alta levou a B3 a ampliar os limites de oscilação desses contratos e obrigou o Tesouro Nacional a intervir no mercado, com a recompra de R$ 7,1 bilhões em títulos públicos prefixados.
O movimento reflete a preocupação dos investidores com a trajetória da dívida pública e pode encarecer o crédito para empresas e consumidores, além de dificultar novos cortes na taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.
Bolsa registra queda histórica
A turbulência também atingiu a Bolsa de Valores brasileira (B3), que encerrou o pregão com queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Durante a manhã, o Ibovespa chegou a despencar 17,34%, o que levou à interrupção das negociações por 30 minutos.
A B3 acionou o chamado circuit breaker, mecanismo de segurança que suspende as operações por meia hora quando o principal índice da Bolsa registra perdas de pelo menos 10% em relação ao fechamento anterior. Foi a primeira vez que a medida foi utilizada desde março de 2020, quando a pandemia de covid-19 provocou uma série de paralisações.
As maiores perdas se concentraram em empresas ligadas ao consumo, bancos e construtoras, setores mais sensíveis às perspectivas de juros elevados. As ações do Magazine Luiza despencaram 58,16%, enquanto as da C&A recuaram 47,40% e as da Hapvida perderam 54,47%. Também registraram fortes quedas instituições financeiras como Bradesco, Itaú e BTG Pactual, além das construtoras MRV e Cyrela
Por outro lado, parte das companhias exportadoras encerrou o pregão em alta, beneficiada pela disparada do dólar, que aumenta o valor em reais das receitas obtidas no exterior. A Suzano avançou 10,29%, seguida por Embraer (+8,42%) e Vale (+4,47%).
Dólar tem maior alta diária em 27 anos após vitória de LulaMoeda norte-americana encerrou o primeiro pregão após o segundo turno com um avanço de 8,34%, a R$ 5,41; bolsa despencou quase 14%Economia2026-10-26T21:08:55.965ZO dólar comercial disparou 8,34% nesta segunda-feira (26) e encerrou o dia cotado a R$ 5,4070, no primeiro pregão após a Foi a maior valorização diária da moeda norte-americana desde janeiro de 1999, quando o Brasil abandonou o regime de câmbio fixo e passou a permitir que a cotação fosse determinada pelo mercado. A moeda chegou a atingir R$ 5,6030 durante a manhã, com valorização superior a 12%, mas perdeu parte da força ao longo do dia. Na sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais, o dólar havia encerrado cotado a R$ 4,99, com queda de 0,92% no dia e de 1,58% na semana. A disparada ocorreu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), que contrariou as principais pesquisas e as expectativas de parte dos investidores. O petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, e conquistou um quarto mandato presidencial após reverter a vantagem obtida pelo senador no primeiro turno. O resultado provocou uma reversão do movimento registrado desde a primeira votação, realizada em 4 de outubro, quando Flávio terminou à frente de Lula. No dia seguinte, o dólar havia recuado 4,11%, na maior queda diária desde 2018, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 7,70%. A reação negativa começou ainda na noite de domingo (25), quando os contratos futuros do real negociados no exterior registraram forte desvalorização após a confirmação do resultado eleitoral. Juros futuros Ao longo desta segunda-feira, a alta do dólar foi acompanhada por uma disparada dos juros futuros, que refletem as expectativas dos investidores para o custo do dinheiro nos próximos anos. O contrato com vencimento em janeiro de 2029 chegou a 15,03% ao ano, ante 12,60% na sexta-feira (23), enquanto o de janeiro de 2035 atingiu 15,38%, contra 12,68% no pregão anterior. A forte alta levou a B3 a ampliar os limites de oscilação desses contratos e obrigou o Tesouro Nacional a intervir no mercado, com a recompra de R$ 7,1 bilhões em títulos públicos prefixados. O movimento reflete a preocupação dos investidores com a trajetória da dívida pública e pode encarecer o crédito para empresas e consumidores, além de dificultar novos cortes na taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. Bolsa registra queda histórica A turbulência também atingiu a Bolsa de Valores brasileira (B3), que encerrou o pregão com queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. Durante a manhã, o Ibovespa chegou a despencar 17,34%, o que levou à interrupção das negociações por 30 minutos. A B3 acionou o chamado circuit breaker, mecanismo de segurança que suspende as operações por meia hora quando o principal índice da Bolsa registra perdas de pelo menos 10% em relação ao fechamento anterior. Foi a primeira vez que a medida foi utilizada desde março de 2020, quando a pandemia de covid-19 provocou uma série de paralisações. As maiores perdas se concentraram em empresas ligadas ao consumo, bancos e construtoras, setores mais sensíveis às perspectivas de juros elevados. As ações do Magazine Luiza despencaram 58,16%, enquanto as da C&A recuaram 47,40% e as da Hapvida perderam 54,47%. Também registraram fortes quedas instituições financeiras como Bradesco, Itaú e BTG Pactual, além das construtoras MRV e Cyrela Por outro lado, parte das companhias exportadoras encerrou o pregão em alta, beneficiada pela disparada do dólar, que aumenta o valor em reais das receitas obtidas no exterior. A Suzano avançou 10,29%, seguida por Embraer (+8,42%) e Vale (+4,47%).São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/dolar-tem-maior-alta-diaria-em-27-anos-apos-vitoria-de-lula
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