Eleições

Lula é reeleito presidente e governará pela quarta vez

Petista mudou campanha e venceu a eleição após terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro

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Sofia Pilagallo
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Reprodução

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com a vitória, o petista se tornou o primeiro presidente da história do Brasil eleito para quatro mandatos.

Lula também se tornou o primeiro candidato à Presidência a vencer o segundo turno depois de terminar a etapa inicial em segundo lugar. Desde a redemocratização, todas as disputas presidenciais que chegaram à segunda votação haviam sido vencidas pelo líder do primeiro turno.

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O caminho até a vitória exigiu mudanças na campanha e uma mobilização de apoiadores nas redes sociais. Depois de encerrar o primeiro turno atrás de Flávio, o petista reuniu aliados para reformular a comunicação e ampliar o alcance de suas propostas nas plataformas digitais.

A avaliação entre aliados era de que a comunicação digital precisava melhorar para alcançar jovens, mulheres e recuperar votos. A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que construiu sua campanha com forte presença nas redes, participou das discussões sobre novos formatos e estratégias para aproximar Lula dos eleitores.

Uma das orientações foi gravar vídeos no formato selfie, com linguagem direta e menos produção, além de priorizar propostas para um novo mandato. Avesso ao uso de celular, Lula ganhou um aparelho de Janones e do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), na reta final da disputa.

Outra frente foi o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que chegou ao fim da campanha com mais de 10 milhões de seguidores. O espaço distribuiu materiais e orientações para que apoiadores compartilhassem publicações e participassem de ações simultâneas nas redes sociais.

As chamadas “missões” incluíam divulgar hashtags no X, antigo Twitter, reagir a publicações e espalhar conteúdos em outras plataformas. Janones classificou a mobilização como uma “revolução digital” e afirmou que o conhecimento compartilhado ajudaria a esquerda a disputar um ambiente tradicionalmente dominado pela

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra campanha das Eleições 2026 com caminhada na avenida Paulista | Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil - 24.10.2026
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra campanha das Eleições 2026 com caminhada na avenida Paulista | Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil - 24.10.2026

Disputas judiciais

O crescimento do canal foi acompanhado por uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acionado pela campanha de Flávio para questionar seu funcionamento. O presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do espaço, enquanto o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu as atividades e defendeu a análise pelo plenário.

Uma nova ordem de Nunes Marques condicionou o funcionamento do canal à regularização na Justiça Eleitoral. A campanha petista registrou o espaço no TSE e contestou as restrições impostas à ferramenta, usada para organizar a atuação de apoiadores no segundo turno.

Na sexta-feira (23), a menos de 72 horas da votação, uma liminar do ministro Floriano de Azevedo Marques barrou novas suspensões ou restrições por decisões administrativas individuais de Nunes Marques. O magistrado afirmou que ações coordenadas de apoiadores não são ilegais por si só e que eventuais irregularidades devem ser apuradas em processos judiciais específicos.

Além das disputas sobre o canal, a campanha petista enfrentou problemas nas plataformas da Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp. A coligação acusou a empresa de restringir conteúdos favoráveis a Lula e beneficiar Flávio na distribuição de publicações, no funcionamento da inteligência artificial e na veiculação de anúncios.

Um dos episódios envolveu a Meta AI, que produzia imagens com a inscrição “Flávio 22”, mas recusava pedidos equivalentes com “Lula 13”. A campanha também denunciou o bloqueio temporário de sua conta de anúncios e restrições à distribuição de conteúdos, enquanto a empresa atribuiu episódios a falhas técnicas e negou favorecimento deliberado.

Diante das reclamações, o ministro Marco Aurélio Bellizze determinou que a Meta aplicasse os mesmos critérios às duas candidaturas, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. A ordem abrangeu a distribuição de conteúdos, as recomendações, as buscas e as métricas, além de restrições a anúncios eleitorais contratados por terceiros.

Em resposta ao TSE, a Meta afirmou ter adotado medidas para assegurar tratamento igual às campanhas e negou interferência no pleito. Entre as providências informadas estavam a revisão humana de restrições automáticas em até duas horas, critérios idênticos na Meta AI e a limitação de anúncios eleitorais a anunciantes oficialmente autorizados.

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