Economia

Como fica a relação do novo governo Lula com a China

No quarto mandato de Lula, Brasil deve aprofundar suas relações comerciais e diplomáticas com a China

A
André de Sena
Xi Jinping e Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Xi Jinping e Lula (PT) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25). Em seu quarto mandato na Presidência da República, o petista deve aprofundar suas relações com a China, que atualmente é o maior parceiro comercial do Brasil.

Na análise do cientista político e professor de relações internacionais da Universidade Católica de Pernambuco Antônio Henrique Lucena, o Itamaraty deve seguir na linha que já vem sendo adotada por Lula e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

“A gente pode inferir que essa estratégia deve propor a continuidade de uma política externa universalista, né, em que o Brasil busca ampliar parcerias comerciais com todas as regiões do mundo”, explica Lucena, que prevê o Brasil evitando se subordinar à hegemonia de Washington e Pequim, as duas maiores potências mundiais da atualidade.
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“Quando a gente se refere à China, eu acredito que a gente pode esperar que o Lula mantenha e aprofunde uma relação estratégica, principalmente levando em consideração o status diplomático de ‘Comunidade de Futuro Compartilhado'", avalia o professor.

Desde novembro de 2024, quando Lula já exercia seu terceiro mandato, a China considera o Brasil uma “Comunidade de Futuro Compartilhado”. Isso significa que os dois países possuem entre si o mais alto de grau de parceria no relacionamento diplomático, colaborando mutuamente em um modelo baseado na interdependência econômica, cooperação multilateral e governança global alternativa ao modelo ocidental encabeçado pelos Estados Unidos.

Lucena acredita que, com a eleição de Lula, o governo brasileiro não deve promover “qualquer tipo de distanciamento da potência asiática, que tem sido exigido por Washington”.

Na visão do cientista político, Brasília deve manter suas relações geopolíticas com os integrantes do Brics, grupo político-diplomático e econômico de cooperação composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O professor também espera que o governo federal fortaleça os investimentos chineses para impulsionar algum grau de reindustrialização do Brasil. "Principalmente com as mega corporações chinesas como BYD e GWM, que têm feito investimentos em fábricas aqui no Brasil", pontua.

O terceiro mandato de Lula foi marcado pela entrada das montadoras automotivas chinesas no mercado brasileiro, em especial com a comercialização de carros movidos a energia elétrica e híbridos.

Segundo dados levantados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a BYD alcançou um marco inédito em 2026: encerrou o primeiro semestre como a quarta marca mais vendida do Brasil e ficou atrás apenas das tradicionais Fiat (Itália), Volkswagen (Alemanha) e General Motors (Estados Unidos). A empresa chinesa registrou um volume de 122.475 emplacamentos de janeiro a julho.

Além disso, em 2023, a BYD assumiu um complexo industrial em Camaçari, na Bahia, que antes pertencia à montadora norte-americana Ford, que havia fechado suas fábricas no Brasil em 2021 e deixado a propriedade vaga.

No mesmo ano em que a Ford deixou o país, a GWM comprou um complexo industrial que pertencia à montadora alemã Mercedes-Benz em Iracemápolis, no interior de São Paulo.

Parceria comercial

A China se tornou a maior parceira comercial do Brasil em 2009, no segundo mandato de Lula na presidência, quebrando uma hegemonia histórica dos Estados Unidos. O gigante asiático mantém esse posto de forma ininterrupta há 17 anos.

Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China, o comércio entre os dois países bateu recorde nos primeiros nove meses de 2026, chegando a US$ 143,3 bilhões, o que significa um crescimento de 24,4% na comparação com o mesmo período de 2022, o último ano de Jair Bolsonaro na presidência.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a soma das importações e exportações do Brasil à China nos nove primeiros meses de 2026 correspondeu a 28,3% do comércio exterior brasileiro.

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