Política

Flávio agora diz que vai pedir cassação de chapa de Lula

Senador vinha defendendo anulação do 2º turno, mas agora concentra críticas nas medidas anunciadas pelo governo na reta final da disputa

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Artur Maldaner

O senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta segunda-feira (26) que vai pedir a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito neste domingo (25), por abuso de poder econômico e político. O anúncio marca uma inflexão na estratégia de Flávio, que vinha defendendo a anulação do segundo turno devido à extensão da votação por duas horas.

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Em vídeo, Flávio disse que recorrerá à Justiça Eleitoral porque, em sua visão, a disputa foi desequilibrada por medidas anunciadas pelo governo federal. O senador acusou Lula de "compra de votos", sem apresentar provas das irregularidades.

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"Vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil. Essa é a maior prova que a reeleição têm que acabar", disse, listando iniciativas como o Bolsa Família e o perdão das dívidas de MEIs.

Cerca de meia hora depois da declaração de Flávio, o seu partido, liderado por Valdemar da Costa Neto, publicou uma nota com críticas duras ao cenário do segundo turno, “marcado por medidas fortemente eleitoreiras, com impacto econômico e social”.

O comunicado não diz se o PL recorrerá judicialmente ao processo eleitoral, mas afirma que o uso de gastos públicos com benefícios sociais “levanta questionamentos sobre os efeitos dessas medidas em um processo eleitoral justo”.

No mesmo vídeo, Flávio comentou a intimação da PF para que entregue seus passaportes comum e diplomático, o que o impediria de deixar o país.

Conforme Flávio, a decisão, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como base uma declaração do irmão Eduardo Bolsonaro aconselhando o senador a deixar o Brasil caso perdesse as eleições.

“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar", disse Flávio no vídeo.

A decisão de Moraes também impede Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz. O ministro é relator de processo no qual o senador e o advogado são investigados por lavagem de dinheiro. Investigação da PF aponta que ambos dividiam uma conta bancária, o que eles negam.

No vídeo, Flávio acusou a corporação de estar agindo politicamente depois do resultado que consagrou a quarta vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de virada. Flávio disse na noite de domingo que iria pedir a anulação das eleições, mas não repetiu o tema no vídeo e agora tentará a cassação da chapa de Lula por abuso de poder econômico e político.

"Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia tá do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição, uma questão política. Não pode ser assim".

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