Economia

Banco Central corta taxa básica de juros para 13,75% ao ano

Comitê de Política Monetária promoveu o 5º corte de 0,25 ponto percentual do ano, conforme esperado pelo mercado

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Caio Barcellos
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - 10.07.2026

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.

A decisão confirmou a expectativa predominante do mercado financeiro e representou o quinto corte consecutivo da Selic desde março, quando o BC iniciou o ciclo de redução dos juros após manter a taxa em 15% ao ano por nove meses. Com o novo ajuste, a Selic acumula queda de 1,25 ponto percentual no período.

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom afirmou que a dimensão total do ciclo de redução dos juros será definida de acordo com os próximos indicadores econômicos, sem assumir compromisso com novas reduções.

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Para Ana Priscila Kologeski, consultora de investimentos da Unicred Porto Alegre, a ausência de uma indicação sobre os próximos passos do BC é um dos principais pontos do comunicado.

"O que chama atenção no comunicado é a ausência de um sinal claro sobre os próximos passos: o Banco Central optou por reforçar a dependência de dados, sem se comprometer com novos cortes", afirmou.

Segundo a consultora, a combinação entre a desaceleração da economia e a persistência das pressões inflacionárias deve orientar as próximas decisões do Copom, previstas para novembro e dezembro.

As próximas reuniões do Copom estão previstas para os dias 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.

Economia perde força e inflação recua

A decisão ocorre no mesmo dia em que o BC divulgou novos dados sobre a atividade econômica brasileira. O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,2% em julho na comparação com junho, registrando a segunda queda mensal consecutiva.

A inflação também apresentou sinais de moderação, com redução de 0,32% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto, enquanto o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (14) mostrou uma baixa na expectativa de inflação para 2026, de 5% para 4,9%.

Apesar da revisão, a projeção permanece acima do limite superior de 4,5% da meta de inflação, cujo centro é de 3%.

“O conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido”, afirmou o Copom no comunicado.

Para 2027, a projeção do mercado é de 4,3%, enquanto a estimativa do próprio BC para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, é de 3,2%.

O comitê também afirmou que os riscos para a inflação continuam elevados, com maior possibilidade de surpresas de alta do que de baixa. Entre os fatores de preocupação estão a persistência da inflação de serviços, os possíveis efeitos da alta do petróleo e uma eventual desvalorização prolongada do real.

Juros sobem no exterior

O corte da Selic ocorreu em um dia de decisões opostas entre os bancos centrais brasileiro e americano. Mais cedo, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, na primeira alta desde julho de 2023.

A decisão do Fed foi tomada em meio à persistência da inflação americana, que permanece acima da meta de 2%. A autoridade monetária também indicou, por meio das projeções de seus dirigentes, a possibilidade de novas altas ainda neste ano.

O aumento dos juros americanos, combinado com a redução da Selic, diminui a diferença entre as taxas dos dois países. Esse movimento pode tornar os investimentos nos EUA relativamente mais atraentes e pressionar o câmbio brasileiro, com possíveis efeitos sobre os preços de produtos importados.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) também elevou os juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de depósito para 2,50% ao ano. A decisão, anunciada na quinta-feira (10), entrou em vigor hoje e foi motivada pelas pressões inflacionárias provocadas pelo conflito no Oriente Médio, especialmente pela alta dos preços da energia.

A inflação na zona do euro acelerou de 2,9% em julho para 3,3% em agosto, acima da meta de 2% do BCE. Os preços da energia subiram 14,3% em 12 meses, e a autoridade monetária passou a projetar inflação média de 3% em 2026 e de 2,5% em 2027.

No comunicado, o BC destacou que as incertezas sobre a política monetária das economias avançadas e os conflitos armados no Oriente Médio exigem cautela dos países emergentes, diante da maior volatilidade dos preços dos ativos financeiros e das matérias-primas.

O Copom também afirmou que continuará acompanhando os efeitos da política fiscal brasileira sobre a inflação e os mercados financeiros.

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