Economia

Banco Central corta taxa básica de juros para 13,75% ao ano

Comitê de Política Monetária promoveu o 5º corte de 0,25 ponto percentual do ano, conforme esperado pelo mercado

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Caio Barcellos
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - 10.07.2026

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.

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A decisão confirmou a expectativa predominante do mercado financeiro e representou o quinto corte consecutivo da Selic desde março, quando o BC iniciou o ciclo de redução dos juros após manter a taxa em 15% ao ano por nove meses. Com o novo ajuste, a Selic acumula queda de 1,25 ponto percentual no período.

Apesar da sequência de reduções, o ritmo permanece gradual. Antes da decisão, economistas apontavam que a desaceleração da economia brasileira e o comportamento mais favorável da inflação abriam espaço para novo corte, mas ressaltavam que as expectativas de preços acima da meta, as incertezas fiscais e os riscos externos exigiam cautela.

Economia perde força e inflação recua

A decisão ocorre no mesmo dia em que o BC divulgou novos dados sobre a atividade econômica brasileira. O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,2% em julho na comparação com junho, registrando a segunda queda mensal consecutiva.

Na abertura por setores, a agropecuária apresentou retração de 1,2%, seguida pela indústria, com queda de 0,4%. Os serviços ficaram praticamente estáveis. O indicador que exclui a agropecuária também recuou, em 0,1%, sinalizando que a perda de ritmo não ficou restrita à produção rural.

O resultado reforçou a avaliação de economistas de que os juros elevados começam a produzir efeitos mais perceptíveis sobre a atividade econômica. Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, os indicadores recentes são compatíveis com uma desaceleração gradual da economia brasileira, mas não eliminam os riscos para a inflação.

“Para as reuniões seguintes, entendemos que a evolução da inflação e das expectativas continuará sendo determinante, de modo que o enfraquecimento da atividade amplia o espaço para discutir cortes adicionais, mas não torna sua continuidade automática”, afirmou Yihao Lin.

A inflação também apresentou sinais de moderação, com redução de 0,32% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto, enquanto o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (14) mostrou uma baixa na expectativa de inflação para 2026, de 5% para 4,9%.

Apesar da revisão, a projeção permanece acima do limite superior de 4,5% da meta de inflação, cujo centro é de 3%.

Fed eleva juros e amplia pressão externa

O corte da Selic ocorreu em um dia de decisões opostas entre os bancos centrais brasileiro e americano. Mais cedo, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, na primeira alta desde julho de 2023.

A decisão do Fed foi tomada em meio à persistência da inflação americana, que permanece acima da meta de 2%. A autoridade monetária também indicou, por meio das projeções de seus dirigentes, a possibilidade de novas altas ainda neste ano.

O aumento dos juros americanos, combinado com a redução da Selic, diminui a diferença entre as taxas dos dois países. Esse movimento pode tornar os investimentos nos Estados Unidos relativamente mais atraentes e pressionar o câmbio brasileiro, com possíveis efeitos sobre os preços de produtos importados.

A alta do petróleo e as incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio também permanecem entre os fatores de preocupação para a trajetória da inflação.

Mercado diverge sobre continuidade dos cortes

Embora houvesse amplo consenso em torno da redução de setembro, os economistas apresentavam avaliações diferentes sobre os próximos passos do Banco Central.

A Oby Capital projetava, antes da reunião, mais um corte de 0,25 ponto percentual em novembro, com a Selic encerrando2026 em 13,50% ao ano. O Santander e a Genial Investimentos, por outro lado, trabalhavam com a possibilidade de manutenção dos juros em 13,75% até o fim do ano.

A XP Investimentos também avaliava que havia espaço para novas reduções, com projeção de Selic em 13,25% em dezembro, mas destacava que a continuidade do ciclo dependeria da evolução dos riscos externos e da política fiscal.

As próximas reuniões do Copom estão previstas para os dias 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.

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