Análise: Flávio ataca democracia ao ligar Brasil à Venezuela
Em carta, senador se compara a Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela em 2019; comparação não encontra eco na realidade

Juan Guaidó
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado nas eleições deste ano, fez um paralelo entre o Brasil e a Venezuela ao inicialmente se autoproclamar presidente eleito nesta quarta-feira (28). A comparação, contudo, não encontra eco na realidade e representa um ataque à democracia brasileira, cuja legitimidade é reconhecida internacionalmente - diferentemente do que ocorria com o regime venezuelano sob Nicolás Maduro.
Dos Estados Unidos, para onde fugiu após o resultado eleitoral, Flávio se comparou a Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, opositores do regime chavista na Venezuela que precisaram, em diferentes momentos, sair de seu país devido a uma série de perseguições. No Brasil, Flávio não é perseguido e teve todos os seus direitos políticos garantidos ao disputar as eleições.
Guaidó chegou a se autoproclamar presidente interino da Venezuela, em 2019. A oposição acusava o então presidente Nicolás Maduro de ter fraudado a eleição do ano anterior e, portanto, considerava seu mandato ilegítimo. Em caso de vacância no comando do país, quem assume, de acordo com a lei, é o presidente da Assembleia Nacional, que na ocasião era Guaidó.
O opositor de Maduro foi reconhecido como presidente interino da Venezuela por dezenas de países, como os Estados Unidos e os integrantes da União Europeia, além do próprio Brasil, que à época era presidido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O mesmo não deve ocorrer agora com Flávio. A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano já foi reconhecida na União Europeia e na maioria dos países governados pela esquerda e pela direita na América Latina, com exceção da Argentina de Javier Milei.
Em 2024, quando Maduro se reelegeu novamente em uma eleição contestada, os EUA, a União Europeia e outras dezenas de países rejeitaram reconhecer o resultado do pleito.
Flávio espera, agora, contar com o apoio pelo menos da Casa Branca, mas há dúvidas em relação à posição do governo americano. Apesar de ser simpático ao bolsonarismo e ter chancelado a fuga de Flávio, Trump pode adotar cautela no momento em que enfrenta uma crise de popularidade e vê sua maioria no Congresso ameaçada pelos democratas nas projeções para as eleições de meio mandato, que ocorrem em novembro.
Caso o Partido Democrata confirme a onda azul que se desenha nas pesquisas e consiga maioria na Câmara e no Senado, ficará mais forte para enfrentar os republicanos na eleição presidencial de 2028. Se a oposição democrata eleger o sucessor de Trump, a situação de Flávio pode ficar ainda mais complicada.
Os democratas já demonstraram publicamente sua contrariedade com o apoio de Trump à fuga do candidato derrotado na eleição brasileira.
























