Em dia de decisão da Selic, Gleisi pede “sensibilidade” ao Copom e critica taxa de juros
Ministra afirma não haver razão para manter política monetária e evita críticas diretas a Galípolo



Eduardo Gayer
Victoria Abel
A poucas horas do anúncio da decisão de política monetária do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve manter a taxa Selic em 15%, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), pediu nesta quarta-feira (28) “sensibilidade” ao Banco Central e voltou a criticar o atual patamar dos juros.
“Eu acho um absurdo continuar com os juros nesse nível. Isso tem uma implicação clara: o aumento da dívida pública”, afirmou a ministra, em café da manhã com jornalistas. “Não vejo razão para manter a Selic. Estamos com inflação baixa, dólar em queda e preços dos alimentos recuando. Espero sinceramente que o Copom tenha sensibilidade e comece a reduzir as taxas”, completou.
Apesar das críticas à política monetária, Gleisi evitou direcionar ataques ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante a gestão de Roberto Campos Neto, nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, as críticas do PT eram frequentemente personalizadas na figura do chefe da autoridade monetária. Desta vez, a ministra ressaltou o caráter colegiado das decisões. “A autoridade monetária é o Copom”, afirmou ao ser questionada sobre Galípolo.
A decisão desta quarta-feira marca a primeira reunião do Copom composta exclusivamente por integrantes indicados por Lula. O colegiado, no entanto, ainda opera com duas vagas em aberto. O governo não iniciou as discussões sobre o envio das indicações para os cargos de diretores do Banco Central.








