Política

Alckmin reage a investigação dos EUA sobre trabalho forçado e minimiza atritos com o Brasil

Vice-presidente rebate apuração anunciada pelo governo de Donald Trump e afirma que o país cumpre tratados internacionais de combate ao trabalho forçado

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Soane Guerreiro
14/03/2026, 21:42 • Atualizado em 15/03/2026, 01:26
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O vice-presidente Geraldo Alckmin rebateu neste sábado (14) a decisão do governo dos Estados Unidos de abrir uma investigação sobre possíveis casos de trabalho forçado no Brasil. Segundo ele, o país mantém compromisso com acordos internacionais que combatem esse tipo de prática.

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Durante agenda no Distrito Federal, Alckmin afirmou que o governo brasileiro adota políticas rígidas de enfrentamento à exploração de mão de obra.

“Ninguém tem mais compromisso de combater trabalho forçado do que o governo brasileiro, o governo federal”, disse o vice-presidente.

A iniciativa faz parte de uma investigação conduzida pelo governo de Donald Trump que envolve cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

O objetivo é verificar se produtos exportados para os Estados Unidos foram fabricados com uso de trabalho forçado ou exploração laboral.

Caso irregularidades sejam confirmadas, a apuração pode resultar na imposição de novas tarifas comerciais contra países que adotem práticas consideradas desleais no comércio internacional.

Tensão entre Brasil e EUA

A investigação ocorre em meio a episódios recentes de atrito diplomático entre os dois países.

Entre os casos citados por fontes do Itamaraty estão o cancelamento do visto do conselheiro norte-americano Darren Beattie e a recusa do governo brasileiro a uma proposta dos EUA para que presos norte-americanos cumpram pena no Brasil.

Apesar disso, diplomatas brasileiros avaliam que os episódios são casos isolados e não devem comprometer a relação entre os dois países.

Interesses estratégicos podem manter parceria

Para especialistas em relações internacionais, os atritos recentes não são suficientes para provocar uma ruptura nas relações bilaterais.

O professor Andrew Traumann, do Centro Universitário Curitiba, afirma que os interesses dos Estados Unidos nas terras raras brasileiras — minerais estratégicos usados na indústria tecnológica — tendem a pesar mais na relação entre os países.

Ele também cita discussões no governo americano sobre classificar facções criminosas brasileiras, como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

"Há uma suspeita muito forte de que essa ideia de classificar o CV e PCC como grupos terroristas seja uma cortina de fumaça para uma intervenção americana por essas terras raras. E, obviamente, em ano eleitoral, fica bem fácil você divulgar, por exemplo, de que o governo brasileiro está defendendo bandidos. E estaria defendendo o PCC, defendendo CV e colar esse rótulo no governo", diz Traumann.

Outro sinal de distanciamento foi o adiamento de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nos Estados Unidos.

Para o professor Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a mudança de agenda pode indicar que a Casa Branca está priorizando outros conflitos internacionais.

Ainda assim, ele avalia que é necessário cautela para evitar que novos episódios provoquem um desgaste maior nas relações diplomáticas.

“É uma demonstração de que o governo americano não pretende dedicar muito tempo ao Brasil neste momento. No entanto, se novos fatos ocorrerem e houver elementos de tensão política, provocados por discursos nem sempre alinhados ao governo norte-americano, é possível que essa reunião não aconteça como uma forma simbólica de demonstrar a insatisfação do presidente Donald Trump com o Brasil.”

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