Lula e Alcolumbre trocam elogios em evento da Petrobras
Confirmação de petróleo no Amapá serviu de palco para nova demonstração de proximidade entre Lula e Alcolumbre após meses de afastamento
Caio Barcellos
Encontro entre Lula e Alcolumbre acontece às 17h desta 5ª feira (1º.jun) em Brasília | Reprodução/Flickr
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), trocaram elogios nesta segunda-feira (17) durante agenda da Petrobras em Oiapoque (AP), no primeiro compromisso público dos dois desde a retomada da relação política, abalada pela rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
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Senador pelo Amapá, Alcolumbre agradeceu a Lula pela defesa da exploração de petróleo na costa do estado, onde a Petrobras confirmou a descoberta do óleo no poço Morpho. O presidente do Senado afirmou que o petista enfrentou resistências ao projeto durante os últimos anos e associou a descoberta à atuação do governo federal.
“E dizer ao senhor, presidente Lula, na minha condição de amapaense, de presidente do Congresso Nacional, muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse no dia de hoje com essa descoberta feita pela Petrobras, que tem que ser o orgulho de todos os brasileiros”, disse Alcolumbre.
A exploração da região foi alvo de oposição de ambientalistas, comunidades indígenas e integrantes do próprio governo, além de enfrentar um longo processo de licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Em maio de 2023, a autarquia negou a autorização para a perfuração do bloco FZA-M-59 por questões ambientais, decisão contestada pela Petrobras, que apresentou novos estudos e medidas de resposta a eventuais vazamentos de óleo.
O tema também provocou divergências entre as áreas ambiental e energética do governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), sustentou ao longo do processo que a decisão cabia ao Ibama e deveria obedecer a critérios técnicos, enquanto o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), pressionava publicamente pela liberação da pesquisa e chegou a cobrar maior rapidez do órgão.
Lula também entrou no embate quando em fevereiro de 2025, afirmou que o Ibama parecia ser “contra o governo” diante da demora na concessão da licença.
A autorização acabou sendo concedida em 20 de outubro de 2025, permitindo à Petrobras perfurar o poço Morpho para pesquisa exploratória.
O poço Morpho fica no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 500 quilômetros da foz do rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá, com uma lamina d’água (região onde a distância entre a superfície do mar e o leito oceânico) de 2.886 metros.
A Petrobras confirmou nesta segunda-feira que encontrou petróleo no local, mas ainda não sabe o volume da descoberta nem se a extração será comercialmente viável. A perfuração do poço, que permitirá avançar nessa avaliação, deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias.
Durante o evento, o senador afirmou que “reconhecimento é fazer Justiça” e defendeu uma atuação conjunta entre o Executivo e o Congresso para decidir os rumos do País.
Lula retribuiu os acenos ao mencionar decisões tomadas por Alcolumbre na última semana para movimentar propostas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto.
O presidente destacou o encaminhamento da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, da PEC da Segurança Pública e do projeto sobre minerais críticos.
“Nesta semana, ele teve uma atitude muito importante para o Brasil. Essa semana, tive uma conversa com o senador Alcolumbre e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil”, afirmou Lula.
Entenda o atrito
A troca mutua de elogios ocorre depois de cerca de três meses de afastamento entre os dois. A relação se deteriorou durante a disputa pela indicação de uma nova cadeira no STF, aberta com a saída de Luís Roberto Barroso. Lula escolheu o então advogado-geral da União, Jorge Messias, enquanto Alcolumbre preferia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Mesmo diante da resistência de Alcolumbre, Lula manteve a indicação de Messias. Em 29 de abril, o Senado rejeitou o nome por 42 votos a 34, com uma abstenção -eram necessários pelo menos 41 votos favoráveis para a aprovação. A derrota foi especialmente significativa porque o Senado não rejeitava uma indicação presidencial à corte desde 1894.
Alcolumbre teve atuação contrária à indicação e foi apontado como um dos principais articuladores da derrota de Messias, episódio que provocou o rompimento político com Lula. Depois da votação, os dois deixaram de manter o contato frequente que havia marcado a relação entre Planalto e Senado.
Reaproximação começou neste mês
A retomada do diálogo começou em 4 de agosto, quando Lula e Alcolumbre se encontraram na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em Brasília. O ministro Cristiano Zanin também participou da conversa, articulada como uma tentativa de reconstruir a relação entre os presidentes do Executivo e do Senado.
Os dois voltaram a se encontrar no Palácio da Alvorada na quarta-feira (12) e novamente na sexta-feira (14), quando Alcolumbre afirmou que o diálogo havia sido restabelecido. Foram três encontros em um intervalo de dez dias antes da agenda conjunta desta segunda-feira no Amapá.
A reaproximação também passou a produzir efeitos na relação entre governo e Senado. Depois das conversas com Lula, Alcolumbre encaminhou às comissões da Casa a proposta sobre a escala 6x1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto que cria uma política nacional para minerais críticos e estratégicos, todos de interesse do governo.
O Planalto busca avançar essas propostas antes das eleições de outubro, principalmente a mudança na jornada de trabalho e a PEC da Segurança Pública, que Lula pretende apresentar como conquistas importantes de seu terceiro mandato.
Já para Alcolumbre, a retomada do diálogo ocorre em um momento em que o senador busca fortalecer sua posição política para um novo mandato na presidência do Senado.
Lula e Alcolumbre trocam elogios em evento da PetrobrasConfirmação de petróleo no Amapá serviu de palco para nova demonstração de proximidade entre Lula e Alcolumbre após meses de afastamentoPolítica2026-08-17T22:35:04.684ZO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), trocaram elogios nesta segunda-feira (17) durante agenda da Petrobras em Oiapoque (AP), no primeiro compromisso público dos dois desde a retomada da relação política, abalada pela rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Senador pelo Amapá, Alcolumbre agradeceu a Lula pela defesa da exploração de petróleo na costa do estado, onde a Petrobras confirmou a descoberta do óleo no poço Morpho. O presidente do Senado afirmou que o petista enfrentou resistências ao projeto durante os últimos anos e associou a descoberta à atuação do governo federal. “E dizer ao senhor, presidente Lula, na minha condição de amapaense, de presidente do Congresso Nacional, muito obrigado pela defesa que o senhor fez ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse no dia de hoje com essa descoberta feita pela Petrobras, que tem que ser o orgulho de todos os brasileiros”, disse Alcolumbre. A exploração da região foi alvo de oposição de ambientalistas, comunidades indígenas e integrantes do próprio governo, além de enfrentar um longo processo de licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Em maio de 2023, a autarquia negou a autorização para a perfuração do bloco FZA-M-59 por questões ambientais, decisão contestada pela Petrobras, que apresentou novos estudos e medidas de resposta a eventuais vazamentos de óleo. O tema também provocou divergências entre as áreas ambiental e energética do governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), sustentou ao longo do processo que a decisão cabia ao Ibama e deveria obedecer a critérios técnicos, enquanto o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), pressionava publicamente pela liberação da pesquisa e chegou a cobrar maior rapidez do órgão. Lula também entrou no embate quando em fevereiro de 2025, afirmou que o Ibama parecia ser “contra o governo” diante da demora na concessão da licença. A autorização acabou sendo concedida em 20 de outubro de 2025, permitindo à Petrobras perfurar o poço Morpho para pesquisa exploratória. O poço Morpho fica no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 500 quilômetros da foz do rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá, com uma lamina d’água (região onde a distância entre a superfície do mar e o leito oceânico) de 2.886 metros. A Petrobras confirmou nesta segunda-feira que encontrou petróleo no local, mas ainda não sabe o volume da descoberta nem se a extração será comercialmente viável. A perfuração do poço, que permitirá avançar nessa avaliação, deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias. Durante o evento, o senador afirmou que “reconhecimento é fazer Justiça” e defendeu uma atuação conjunta entre o Executivo e o Congresso para decidir os rumos do País. Lula retribuiu os acenos ao mencionar decisões tomadas por Alcolumbre na última semana para movimentar propostas consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto. O presidente destacou o encaminhamento da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, da PEC da Segurança Pública e do projeto sobre minerais críticos. “Nesta semana, ele teve uma atitude muito importante para o Brasil. Essa semana, tive uma conversa com o senador Alcolumbre e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil”, afirmou Lula. Entenda o atrito A troca mutua de elogios ocorre depois de cerca de três meses de afastamento entre os dois. A relação se deteriorou durante a disputa pela indicação de uma nova cadeira no STF, aberta com a saída de Luís Roberto Barroso. Lula escolheu o então advogado-geral da União, Jorge Messias, enquanto Alcolumbre preferia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Mesmo diante da resistência de Alcolumbre, Lula manteve a indicação de Messias. Em 29 de abril, o Senado rejeitou o nome por 42 votos a 34, com uma abstenção -eram necessários pelo menos 41 votos favoráveis para a aprovação. A derrota foi especialmente significativa porque o Senado não rejeitava uma indicação presidencial à corte desde 1894. Alcolumbre teve atuação contrária à indicação e foi apontado como um dos principais articuladores da derrota de Messias, episódio que provocou o rompimento político com Lula. Depois da votação, os dois deixaram de manter o contato frequente que havia marcado a relação entre Planalto e Senado. Reaproximação começou neste mês A retomada do diálogo começou em 4 de agosto, quando Lula e Alcolumbre se encontraram na casa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em Brasília. O ministro Cristiano Zanin também participou da conversa, articulada como uma tentativa de reconstruir a relação entre os presidentes do Executivo e do Senado. Os dois voltaram a se encontrar no Palácio da Alvorada na quarta-feira (12) e novamente na sexta-feira (14), quando Alcolumbre afirmou que o diálogo havia sido restabelecido. Foram três encontros em um intervalo de dez dias antes da agenda conjunta desta segunda-feira no Amapá. A reaproximação também passou a produzir efeitos na relação entre governo e Senado. Depois das conversas com Lula, Alcolumbre encaminhou às comissões da Casa a proposta sobre a escala 6x1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto que cria uma política nacional para minerais críticos e estratégicos, todos de interesse do governo. O Planalto busca avançar essas propostas antes das eleições de outubro, principalmente a mudança na jornada de trabalho e a PEC da Segurança Pública, que Lula pretende apresentar como conquistas importantes de seu terceiro mandato. Já para Alcolumbre, a retomada do diálogo ocorre em um momento em que o senador busca fortalecer sua posição política para um novo mandato na presidência do Senado.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/lula-e-alcolumbre-trocam-elogios-em-evento-da-petrobras