Caso Master: Lewandowski avisou Lula sobre contratos privados antes de assumir, diz Gleisi
Ministra nega conflito de interesses e ressalta que Vorcaro foi preso pela PF sob comando do ex-chefe da Justiça


Eduardo Gayer
Victoria Abel
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski avisou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antes de assumir o cargo, que o escritório de sua família prestava consultorias privadas. Um desses contratos era com o banco Master, liquidado pelo Banco Central e hoje no centro de uma apuração no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de fraude bancária.
“Ele avisou que exercia atividades privadas. Não sei se mencionou especificamente o Master, mas informou que teria de se afastar. Isso não era impeditivo. Por que seria? Qual é o crime? O que isso influenciou nas apurações conduzidas pelo governo?”, questionou a ministra, em café da manhã com jornalistas.
Gleisi acrescentou que o presidente do Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal durante a gestão Lewandowski à frente da Justiça. “O governo não tem nada a temer e quer que todas as responsabilidades sejam apuradas”, afirmou.
As revelações de que Vorcaro contratou o escritório da família Lewandowski e conseguiu uma reunião com o presidente Lula, em 2024, provocaram constrangimento nos bastidores ao arrastar o governo federal — em pleno ano eleitoral — para a crise política envolvendo o banco.
Diante do desgaste, Gleisi tentou desvincular a imagem do governo do Master e atribuir a relação à oposição. “Há envolvimento dos governos do Distrito Federal e do Rio de Janeiro com fundos de pensão [que investiram no Master]. A oposição precisa explicar por que o cunhado do Vorcaro, Fabiano Zettel, foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio. Quem tem ou tinha relação com o Master eram eles”, alfinetou.
Pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi afirmou ainda que o governo não vai se posicionar sobre a eventual instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o banco e evitou comentar a atuação do ministro Dias Toffoli, do STF, relator do inquérito que apura a suposta fraude bancária. “Não me cabe fazer julgamento de ministros. O histórico do STF é o de cumprir a Constituição, e esperamos que isso se repita no caso Master”, disse.
Em nota, Lewandowski afirmou que, ao assumir o comando do Ministério da Justiça, em janeiro de 2024, “retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”.
Questionada sobre a recepção de Lula a Vorcaro, antes do início das investigações, Gleisi também minimizou o episódio. “O presidente recebe muitas pessoas, inclusive donos de bancos. Isso faz parte da natureza do cargo. Não vejo problema algum. A orientação foi para que o caso fosse acompanhado de forma técnica e com rigor da lei”, concluiu.








