Participação de Flávio Bolsonaro em evento conservador nos EUA dá munição para Lula buscar melhora na popularidade
Planalto deve relembrar que clã Bolsonaro trabalhou contra o Brasil no episódio do tarifaço, anunciado por Donald Trump, no início do ano passado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve usar a participação do senador Flávio Bolsonaro na CPAC, conferência conservadora que aconteceu no último sábado (28), nos Estados Unidos, para relembrar que o irmão do parlamentar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, atuou contra o Brasil no episódio do tarifaço.
Lula deve defender que Eduardo trabalhou de forma ativa para que o presidente norte-americano Donald Trump determinasse sanções contra autoridades brasileiras e tarifas sobre as exportações brasileiras, como carne e café, e que a ida de Flávio Bolsonaro à CPAC seria a repetição da estratégia do clã Bolsonaro de trabalhar contra o Brasil nos EUA.
Assessores palacianos afirmaram à coluna que a participação de Flávio Bolsonaro ocorreu bem no momento em que o Planalto busca retomar o discurso da soberania e que a fala do senador será usada de forma exaustiva por Lula e aliados. O parlamentar chegou a dizer que o segundo mandato de Trump já é melhor que o primeiro, e que no Brasil vai ser assim também, com uma segunda gestão de alguém com sobrenome Bolsonaro. No entanto, o mandatário norte-americano vive o pior momento da atual gestão, com queda na aprovação e protestos em várias regiões do país, por causa da guerra contra o Irã.
Logo após o discurso de Flávio, a ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, afirmou nas redes sociais que o senador e o irmão Eduardo Bolsonaro "nem conseguem disfarçar que seu projeto é entregar o país aos interesses estrangeiros". Gleisi, que deve deixar o cargo nesta semana para disputar uma das vagas ao Senado pelo Paraná, classificou os dois irmãos como "vendilhões" da Pátria, adjetivo pejorativo usado contra quem age para obter lucro de forma desonesta.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também usou as redes sociais para chamar Flávio Bolsonaro de "traidor da pátria". O parlamentar afirmou que a ida do senador ao evento conservador foi para negociar o apoio de Trump à eleição dele aqui no Brasil, em troca das riquezas brasileiras. Lindbergh disse ainda que Flávio vai tentar fazer como o pai e entregar a Amazônia aos Estados Unidos, caso vença a disputa de outubro.










































