AtlasIntel vai pesquisar efeito dos áudios entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro na campanha
Empresa registrou levantamento no TSE e iniciou questionário online ainda na quarta (13) e seguirá até segunda (18), com divulgação na terça (19)



Victor Schneider
Caio Barcellos
A AtlasIntel será a primeira empresa de pesquisas eleitorais a aferir mais profundamente o impacto das revelações sobre a ligação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
A previsão é de divulgação na próxima terça-feira (19). Há também pesquisa Datafolha prevista para essa sexta (15), mas a coleta começou na terça (12) e termina hoje. O tempo é curto para medir efeitos mais consolidados do evento político, além de não apresentar perguntas específicas sobre o tema.
A Atlas agiu rápido e registrou a pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poucas horas após o site Intercept Brasil publicar na quarta-feira (13) reportagem que mostra Flávio cobrando quantias milionárias de dinheiro de Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", obra biografia que narra a ascensão de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Segundo a reportagem, foram pagos ao menos R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões prometidos. Áudios e registros de mensagem no WhatsApp mostram uma relação de intimidade, com Flávio convidando o banqueiro para jantares e o chamando de "irmão". O senador disse que a prática de buscar financiamento privado para a obra não configurava nenhuma ilegalidade, mas aliados admitem ser necessário ao menos 30 dias para entender como essa informação se assentará na mente do eleitorado antes de decidir se seguem ou não com Flávio como candidato.
AtlasIntel
Diferentemente dos métodos de coleta da Quaest e do Datafolha, realizados de forma presencial, a AtlasIntel faz suas pesquisas com questionários estruturados online. O período de coleta vai até segunda-feira (18), com permissão para divulgação no dia seguinte. Serão 5.000 entrevistas em todos os 26 Estados mais o Distrito Federal. O código de registro é BR-06939/2026. As perguntas abordarão tanto as intenções de voto para presidente quanto as impressões sobre o episódio revelado pelo Intercept.
Ao SBT News, o diretor de análise política da Atlas, Yuri Sanches, reiterou a importância de capturar o primeiro sentimento do eleitorado e observar como será a consolidação dessa impressão com as pesquisas subsequentes para checar se haverá impacto duradouro ou pontual.
"Quando um fato político relevante ocorre imediatamente antes ou durante o campo, a interpretação dos resultados leva em conta que parte da oscilação pode refletir uma reação emocional inicial ao noticiário, e não necessariamente uma mudança estrutural consolidada. Daí a importância de realizar uma medição logo após o evento, que sirva para que a temperatura possa ser medida e comparada quando uma nova rodada posterior for feita. Por isso, o mais importante é observar se a tendência se mantém em medições futuras", afirmou.
Leia o questionário
Os entrevistados por esta rodada da Atlas são questionados se ficaram sabendo do aúdio e das mensagens das conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. As respostas possíveis são "sim" e "não". Quem responder positivamente será perguntado se ouviu o áudio em questão.
Na sequência, a AtlasIntel mede a reação ao conteúdo divulgado. Os entrevistados podem responder se as informações "surpreenderam muito", "surpreenderam um pouco" ou "não surpreenderam".
A pesquisa também indaga como o eleitor interpreta a conversa entre o pré-candidato e o banqueiro. As opções são:
- "uma tentativa legítima de conseguir apoio financeiro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro";
- "uma relação de proximidade entre Flávio e o dono do Master, mas sem comprovação de ilegalidade";
- "evidências de envolvimento direto de Flávio Bolsonaro com o escândalo do Banco Master";
- "não sei"
Outro ponto é a percepção sobre o vazamento. Os entrevistados são questionados se consideram o material divulgado pelo Intercept Brasil:
- "evidências obtidas em uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades";
- "uma tentativa de prejudicar politicamente Flávio Bolsonaro";
- "ambos por igual";
- "não sei".
Sobre o impacto eleitoral do episódio, a pesquisa pergunta se, após tomar conhecimento das conversas, o eleitor ficou "muito menos disposto", "menos disposto", "mais disposto" ou "muito mais disposto" a votar em Flávio Bolsonaro para presidente.
Também há as opções "não afeta minha disposição de voto" e "já não votaria nele de qualquer forma".
Os entrevistados respondem ainda se a divulgação das conversas "enfraqueceu muito", "enfraqueceu um pouco", "não afetou" ou "fortaleceu" a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, haverá ainda uma pergunta específica sobre se Flávio deveria "manter sua candidatura à Presidência", "retirar sua candidatura à Presidência e apoiar outro nome" ou "não sei".
Por fim, o questionário apresenta a exibição de um vídeo com um dos áudios sobre o caso. Durante a reprodução, o participante deve avaliar o conteúdo arrastando um indicador para a direita em caso de percepção mais positiva ou para a esquerda em caso de avaliação negativa.










