Política

Mário Frias e produtora negam que dinheiro de Vorcaro financiou filme sobre Bolsonaro

Deputado e empresa responsável por “Dark Horse” dizem que não utilizaram recursos do banqueiro; Intercept fala em R$ 61 milhões pagos a pedido de Flávio

Imagem da noticia Mário Frias e produtora negam que dinheiro de Vorcaro financiou filme sobre Bolsonaro
Post do filme "Dark Horse", que teria recebido dinheiro de Vorcaro | Reprodução

A produtora Go Up Entertainment e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), responsáveis pelo filme que retrarará a ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República, negaram ter recebido dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a obra. Com base em registros documentais e mensagens de aplicativo, o site Intercept Brasil mostrou na quarta-feira (13) que Vorcaro pagou pelo menos R$ 61 milhões de R$ 134 milhões prometidos para custear o filme “Dark Horse", previsto para estrear em setembro.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O Intercept mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje pré-candidato à Presidência da República, manteve contatos com Vorcaro de dezembro de 2024 até 16 de novembro de 2025, antevéspera da prisão do banqueiro no Aeroporto de Guarulhos. Áudios e registros de mensagens mostram Flávio marcando encontros informais e cobrando o envio dos repasses para a obra, mas em tom amigável e se referindo ao banqueiro como “irmão". “Estou e estarei contigo sempre", disse Flávio no último diálogo citado pela reportagem.

Em resposta às revelações, o senador admitiu, em vídeo publicado nas redes na noite de quarta, que manteve contato com o banqueiro em busca do dinheiro. Mas afirmou que o assunto era de natureza privada, não envolveu recursos públicos e que, por isso, não houve qualquer ilegalidade ou favorecimento ilícito.

A Go Up, porém, disse não ter recebido “nenhum centavo” de Vorcaro ou de nenhuma das empresas das quais o banqueiro é sócio. A empresa também reiterou estar protegida pela lei americana, via acordos de confidencialidade, da obrigação de revelar quais foram os financiadores privados da obra. E destacou que “conversas, apresentações de projeto ou tratativas eventualmente mantidas com potenciais apoiadores e empresários não configuram, por si só, efetivação de investimento, participação societária ou transferência de recursos".

“Sem prejuízo das restrições acima e com o propósito de afastar especulações infundadas, a Go Up Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", disse a Go Up.

Já Mário Frias, secretário de Cultura na gestão de Bolsonaro, afirmou em publicação nas redes sociais que a atuação de Flávio em “Dark Horse" se resumiu a ceder os direitos autorais da família Bolsonaro e usar o “peso que seu sobrenome carrega” para angariar fundos e atrair “investidores interessados em financiar um projeto desse porte" – mas que Vorcaro não seria um deles.

O ex-secretário disse que o filme é “uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional - com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro” deste século. Bolsonaro será representado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, famoso por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo” (2004). Outro filme de sucesso mais recente de Caviezel foi “O Som da Liberdade” (2023), que arrecadou US$ 251 milhões globalmente.

Rota do dinheiro

Conforme reportagem do Intercept Brasil, parte dos repasses foi realizado da Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. É possível identificar em sites de registro públicos que a empresa é de Dallas e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLCC", do advogado Paulo Calixto, que representa a defesa do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

O fundo texano é citado na reportagem como alternativa sugerida pelo publicitário Thiago Miranda, um dos intermediários das operações financeiras, a Vorcaro para facilitar os repasses de dinheiro para os Estados Unidos. Uma tabela obtida pelo Intercept mostra um cronograma de pagamentos que totalizaram US$ 23,9 milhões em parcelas mensais, dos quais US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões na cotação da época) já haviam sido enviadas. Os repasses ficaram mais escassos conforme a situação fiscal do Master se agravava em meio à negativa à venda para o Banco de Brasília (BRB).

O SBT News confirmou que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e principal movimentador financeiro do banqueiro, investiu ao menos R$ 13,5 milhões na Foone Serviços de Internet, que integra o conglomerado da Entre Investimentos. Os registros foram obtidos a partir da declaração do Imposto de Renda de 2024 de Zettel. O vínculo entre a Foone é feito por Kleber Zolezani, que intermedeia negócios com Antonio Carlos Freixo Júnior, da Entre Investimentos.

Últimas Notícias