Caso Master: PF investiga pelo menos cinco policias federais da ativa ou aposentados
Até o momento, foram alvo uma delegada e quatro agentes suspeitos de integrarem grupo que acessava dados sigilosos


Anita Prado
A 6ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14), ampliou o alcance da investigação sobre a participação de policiais federais da ativa e aposentados entre os investigados nos grupos que atuavam para Daniel Vorcaro.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, integrantes da corporação e outros que estão já fora teriam atuado no braço responsável por acessar informações sigilosas, realizar consultas ilegais em sistemas internos e abastecer integrantes do grupo com dados reservados.
O principal nome ligado à corporação é o de Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como líder operacional do núcleo conhecido como “A Turma”. A investigação afirma que o grupo atuava com intimidações, monitoramento de pessoas e obtenção ilegal de dados sigilosos.
Marilson já havia sido preso na terceira fase da operação. Agora, a PF pediu a transferência dele para um presídio federal sob o argumento de que ele continuava exercendo influência sobre a estrutura investigada e poderia interferir na apuração.
Outro investigado é Anderson Wander da Silva Lima, agente da PF da ativa lotado no Rio de Janeiro. Segundo a decisão, ele fazia consultas indevidas em sistemas internos da corporação e repassava informações a Marilson Roseno.
A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva também aparecem na investigação. A PF afirma que eles teriam acessado e compartilhado informações sigilosas obtidas no sistema e-Pol.
Valéria foi afastada preventivamente da função pública e proibida de acessar dependências da PF ou manter contato com policiais federais. Francisco foi alvo de busca.
Outro policial federal aposentado citado é Sebastião Monteiro Júnior, apontado como integrante do núcleo “A Turma”. Contra ele foi expedido mandado de prisão preventiva.
A investigação afirma ainda que o braço operacional da organização no Rio de Janeiro tinha ligação com operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais.
Veja a lista dos policiais suspeitos:
• MARILSON ROSENO DA SILVA — policial federal aposentado apontado como líder operacional do núcleo “A Turma”. Já estava preso e a PF pediu inclusão dele no Sistema Penitenciário Federal.
• ANDERSON WANDER DA SILVA LIMA — agente da PF da ativa lotado no Rio. Foi alvo de mandado de prisão preventiva por suspeita de realizar consultas ilegais em sistemas internos da corporação.
• VALÉRIA VIEIRA PEREIRA DA SILVA — delegada da Polícia Federal. Foi afastada preventivamente da função pública e proibida de manter contato com policiais federais ou acessar dependências da PF.
• FRANCISCO JOSÉ PEREIRA DA SILVA — agente da PF aposentado (marido da delegada). Foi alvo de medidas cautelares, incluindo proibição de contato com policiais federais e acesso às unidades da corporação.
• SEBASTIÃO MONTEIRO JÚNIOR — policial federal aposentado apontado como integrante do núcleo “A Turma”. Foi alvo de mandado de prisão preventiva.
Diretor da PF
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta quinta ao SBT News que a Polícia Federal trabalha de maneira técnica e que corta na própria carne quando necessário.
"Como sempre tenho dito, a Polícia Federal trabalha de maneira técnica, imparcial e em busca da melhor instrução das suas investigações. Não protege, nem persegue, age com autonomia, e corta na própria carne quando necessário. Essa operação de hoje não deixa dúvidas e serve, também, para valorizar a quase totalidade dos policiais federais, que agem com correção e dedicação, e reafirmar que não há hipótese de transigirmos com desvio de conduta em nossa Instituição. E assim seguiremos, obedientes à Constituição e às leis".









