Cúpula do PL quer esperar 30 dias para definir futuro de Flávio Bolsonaro
Tempo seria necessário para medir efeitos eleitorais de áudio vazado; partido teme ainda reflexo nas candidaturas regionais


Victoria Abel
Aliados de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmam que o partido deve esperar cerca de 30 dias para uma avaliação sobre o futuro do senador Flávio Bolsonaro (RJ) na campanha presidencial.
O tempo, de acordo com integrantes da cúpula da legenda, é necessário para esperar o assunto “maturar” e a “poeira baixar”, nas palavras dessas pessoas. Após esse período, um debate sobre a pré-candidatura terá de ser feito, de acordo com o partido.
Interlocutores de Valdemar afirmam que o encontro desta quarta-feira (14), que reuniu dirigentes do PL e integrantes da campanha, definiu uma posição inicial de apoio a Flávio, emitida em nota oficial.
Mas uma discussão sobre a viabilidade eleitoral depois do que classificaram como “porrada” será inevitável para medir se os efeitos são irreversíveis, ponderam.
Parlamentares do PL temem também que os prejuízos à imagem de Flávio Bolsonaro possam respingar nas candidaturas regionais, aos governos dos Estados, além das campanhas ao Senado e Câmara. Isso porque a maioria delas dependeria de Flávio para ter força e musculatura eleitoral.
Como antecipou o analista do SBT News, Eduardo Gayer, uma ala do PL já admite a possibilidade de lançar Michelle Bolsonaro como candidata à Presidência, vista como única opção de plano B para o partido, neste momento.
Integrantes da cúpula do PL ainda avaliaram a postura de Flávio, de esconder as relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, como “infantil”, por achar que nada seria vazado. Para eles, se o senador tivesse contado anteriormente sobre as conversas, o partido poderia ter preparado uma narrativa mais sólida.
Conversas e filme
Fontes da Polícia Federal confirmaram a veracidade do conteúdo das conversas nas quais Flávio cobra Vorcaro sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A negociação girava em torno de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões à época). Ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente pagos entre fevereiro e maio de 2025, segundo a polícia.









