Política

Tarcísio e Haddad duelam no 1º debate em SP

Candidatos discutiram crime organizado, privatizações, tarifaço e a relação entre o governo paulista e a União; veja os destaques

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Antonio Souza
Tarcísio e Haddad | Reprodução

Tarcísio e Haddad | Reprodução

Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) participaram neste domingo (9) do primeiro debate da campanha ao Governo de São Paulo, promovido pela Band. Os dois foram os únicos candidatos presentes.

A legislação eleitoral estabelece que participem de debates na televisão os candidatos filiados a partidos com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Os demais concorrentes não têm representação suficiente para garantir presença nos encontros.

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Mediado pelo jornalista Rodolfo Schneider, o debate durou duas horas e foi dividido em três blocos. No primeiro, os candidatos responderam à mesma pergunta feita pelo moderador e depois participaram de um confronto direto.

No segundo bloco, jornalistas fizeram perguntas aos dois concorrentes. A terceira parte foi marcada por um novo confronto entre Tarcísio e Haddad.

Os destaques do debate

Primeiro bloco

O primeiro bloco foi dominado pela tentativa dos candidatos de transformar áreas da administração estadual em vitrines e pontos de desgaste. Tarcísio de Freitas, o primeiro a falar por ordem de sorteio, apresentou a educação e a segurança pública como marcas de seu governo, destacando avanços na alfabetização, no ensino profissionalizante, na redução dos índices de violência e no uso de tecnologia no combate ao crime.

Fernando Haddad, por outro lado, atacou o modelo pedagógico adotado pelo governador, criticou os investimentos em segurança e defendeu o programa Braços Abertos, implementado durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo.

A cracolândia tornou-se o principal símbolo do confronto entre políticas de repressão e estratégias de reinserção social. Na sequência, a disputa sobre investimentos federais, dívida pública e o Propag ampliou o embate para a área econômica.

Na reta final, o bloco foi nacionalizado, com Tarcísio defendendo o legado de Bolsonaro e questionando a política fiscal do governo Lula, enquanto Haddad tentou responsabilizar a administração estadual pelos problemas de São Paulo.

Segundo bloco

O segundo bloco concentrou-se na relação entre São Paulo e o governo federal, com destaque para o túnel Santos-Guarujá, as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e o financiamento do agronegócio.

Ao defender a obra, Tarcísio de Freitas reconheceu a necessidade de parceria com a União, mas procurou preservar o protagonismo de sua gestão ao apresentar o túnel como um projeto estratégico de mobilidade.

Fernando Haddad usou a declaração para sustentar que o governo federal tem ampliado os investimentos no Estado, em contraste com a administração Bolsonaro.

No debate sobre o tarifaço, Haddad enfatizou a soberania nacional e a reação de Brasília, enquanto Tarcísio defendeu a antecipação de créditos de ICMS para proteger a indústria paulista.

Na área rural, o governador destacou financiamento, previsibilidade e subvenções, e Haddad respondeu com referências ao Plano Safra e à Embrapa.

O bloco terminou com nova disputa sobre segurança pública: Haddad propôs uma atuação integrada contra as facções criminosas, enquanto Tarcísio recorreu a um discurso de firmeza e promessa de enfrentamento direto ao crime organizado.

Terceiro bloco

O terceiro bloco foi dominado pela disputa sobre privatizações, concessões e o papel do Estado na oferta de serviços públicos. Fernando Haddad questionou a venda de ativos paulistas e defendeu uma análise crítica das parcerias público-privadas, citando problemas em linhas da CPTM, cobranças no sistema Free Flow e a necessidade de revisar contratos de concessão.

Tarcísio de Freitas sustentou que as privatizações foram feitas por necessidade e apresentou a Sabesp como principal exemplo de uma empresa que, segundo ele, poderia entrar em colapso sem a iniciativa privada.

O saneamento também expôs divergências sobre tarifas, expansão do acesso à água e responsabilidade pela gestão da companhia. Na saúde, os candidatos travaram uma disputa sobre a tabela SUS Paulista, com Tarcísio destacando os valores pagos pelo Estado e a abertura de hospitais, enquanto Haddad atribuiu parte relevante do financiamento ao governo federal.

A troca de acusações sobre benefícios fiscais, mudanças climáticas e vacinação elevou a tensão do bloco, que terminou com provocações pessoais e consolidou as privatizações como um dos principais pontos de contraste entre os dois projetos.

Nas considerações finais, Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad resumiram as estratégias adotadas ao longo do debate. O governador apresentou obras de infraestrutura, queda nos índices criminais, expansão do metrô e a promessa de ampliar o uso de inteligência artificial na segurança e na saúde como evidências de uma gestão voltada a resultados e continuidade.

Haddad contestou a autoria de parte dos projetos, afirmando que muitas obras já haviam sido contratadas por administrações anteriores, e explorou a ideia de que Tarcísio anuncia realizações ainda não concluídas ao dizer que o adversário fala “no gerúndio”.

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