Ouro despenca e registra pior semana desde 2011 com saída de investidores
Metal acumula queda de quase 25% desde o pico em janeiro, pressionado por expectativas de juros mais altos e perda de atratividade como proteção


Exame.com
O preço do ouro registra forte queda nos mercados internacionais, ampliando perdas e marcando o pior desempenho semanal em mais de uma década, com saída de investidores de ativos considerados seguros em meio ao conflito no Oriente Médio.
O metal acumulou recuo de quase 10% na última semana, no pior resultado desde 2011, e voltou a cair nesta segunda-feira (23), sendo negociado próximo de US$ 4.126 por onça no mercado à vista.
Os contratos futuros também recuaram quase 10%, sendo negociados próximos de US$ 4.119 por onça, no menor nível de 2026, segundo dados consultados pela CNBC.
A desvalorização ocorre após o ouro ter alcançado máxima histórica no fim de janeiro, quando chegou a US$ 5.594,92 por onça. Desde então, a commodity já acumula perda de cerca de 25%, indicando uma reversão na sua trajetória recente.
Saída de investidores
O movimento de queda está associado à redução da demanda por ativos de proteção, em um ambiente de maior incerteza sobre inflação e política monetária.
Apesar da escalada geopolítica envolvendo a guerra no Irã, investidores têm reduzido exposição ao ouro.
Fontes ouvidas pela CNBC apontam que o aumento das pressões inflacionárias, impulsionado pela alta dos preços de energia, tem reforçado a expectativa de juros mais elevados por mais tempo.
Esse cenário tende a favorecer ativos que oferecem rendimento, como títulos públicos, em detrimento de metais preciosos, de acordo com fontes ouvidas pela CNBC.
A dinâmica reflete uma mudança no comportamento do mercado. Em vez de migração para segurança, o ambiente atual combina aversão ao risco com reprecificação de ativos diante da perspectiva de aperto monetário prolongado.
Impacto em outros metais
A prata, frequentemente negociada em conjunto com o ouro, recuou mais de 8% no mercado à vista, atingindo cerca de US$ 62 por onça, no menor nível do ano.
O metal já perdeu quase metade do valor desde o pico registrado no fim de fevereiro, quando chegou a US$ 117. Os contratos futuros de prata apresentaram perdas ainda mais acentuadas, com queda superior a 11% no início da semana.
Outros metais do mesmo grupo também foram impactados: a platina caiu mais de 10%, enquanto o paládio recuou cerca de 6,7% no mesmo período.
Juros e liquidez no radar
O comportamento do ouro segue diretamente ligado às expectativas para taxas de juros globais.
Com o avanço da inflação associado ao encarecimento da energia, cresce a probabilidade de manutenção de políticas monetárias restritivas por mais tempo.
Esse cenário eleva os rendimentos de títulos soberanos, reduzindo a atratividade relativa do ouro.








