Preço do diesel aumenta 20% desde o início da guerra, e setor teme risco de desabastecimento
Dados da ANP mostram que preços nas bombas subiram apesar de esforço do governo Lula para conter alta; entidades pedem medidas extras
Victor Schneider
Posto de combustível | Divulgação/Marcelo Camargo/Agência Brasil
O preço médio do diesel S10 voltou a subir pela terceira semana consecutiva e acumula alta superior a 20% desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta sexta-feira (20). No período, a gasolina comum também ficou 5,9% mais cara para os consumidores.
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A variação mostra que os esforços do governo Lula (PT) para conter a pressão externa sobre os combustíveis com a guerra no Irã têm sido insuficientes para amortecer o impacto no mercado doméstico.
Temendo os efeitos da variação abrupta nos preços do mercado internacional, entidades do setor de combustíveis emitiram nota também nesta sexta cobrando providências extras do governo federal e destacando que o corte no PIS/Cofins não é uma garantia de redução do preço na bomba.
O setor explica que o impacto sobre o preço do diesel ao consumidor não é direto nem integral porque o produto vendido nos postos é o diesel B, composto por 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o que dilui os cortes que incidem sobre o diesel A.
Além disso, a soma de fatores – como o custo do biodiesel, a incidência de ICMS, despesas logísticas, margens de distribuição e a origem do produto (se adquirido da Petrobras, de refinarias privadas ou de importadores) – também impactam no custo final, fazendo com que o reajuste da Petrobras tenha praticamente neutralizado o subsídio do governo.
“Diante desse cenário se faz necessária a adoção de providências, com a maior brevidade possível, de modo a evitar o agravamento dos riscos de desabastecimento nacional", diz a nota assinada pela Fecombustíveis, Sindicom, Federação Brasilcom, Abicom, Refina Brasil e Sincopetro.
Senacon já notificou 70% do mercado de combustíveis
Em coletiva conjunta com o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) disse já ter notificado 11 distribuidoras por práticas irregulares, fatia que representa 70% do mercado de combustíveis no país.
O balanço mostra que a fiscalização da Senacon já alcançou 1.880 postos de gasolina em 179 municípios de 25 estados, com mais de 900 notificações e 36 sanções envolvendo multas e interdições. O esforço se intensificou ao longo desta semana (16 a 20 de março), com o monitoramento de 1.052 postos em 35 municípios e 64 notificações a distribuidoras.
Durante o evento, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, anunciou que fará uma força tarefa para monitorar o mercado de combustíveis conjuntamente com outras entidades, incluindo a ANP e Procons estaduais. Pelo escopo de atuação própria de cada órgão, as autuações têm sido feitas separadamente pela ANP, Senacon e Procons.
Preço do diesel aumenta 20% desde o início da guerra, e setor teme risco de desabastecimentoDados da ANP mostram que preços nas bombas subiram apesar de esforço do governo Lula para conter alta; entidades pedem medidas extrasEconomia2026-03-20T22:54:58.950ZO preço médio do diesel S10 voltou a subir pela terceira semana consecutiva e acumula alta superior a 20%, em 28 de fevereiro, divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta sexta-feira (20). No período, a gasolina comum também ficou 5,9% mais cara para os consumidores. A variação mostra que os esforços do governo Lula (PT) para conter a pressão externa sobre os combustíveis com a guerra no Irã têm sido insuficientes para amortecer o impacto no mercado doméstico. + O Ministério da Fazenda e cobra governadores a . Por outro lado, a Petrobras na última semana, acompanhando a guinada do valor de referência do petróleo Brent – que saltou de US$ 72,48 por barril, em 27 de fevereiro, para US$ 108,20 nesta sexta, uma alta próxima a 50%. Temendo os efeitos da variação abrupta nos preços do mercado internacional, entidades do setor de combustíveis também nesta sexta cobrando providências extras do governo federal e destacando que o corte no PIS/Cofins não é uma garantia de redução do preço na bomba. O setor explica que o impacto sobre o preço do diesel ao consumidor não é direto nem integral porque o produto vendido nos postos é o diesel B, composto por 85% de diesel A e 15% de biodiesel, o que dilui os cortes que incidem sobre o diesel A. Além disso, a soma de fatores – como o custo do biodiesel, a incidência de ICMS, despesas logísticas, margens de distribuição e a origem do produto (se adquirido da Petrobras, de refinarias privadas ou de importadores) – também impactam no custo final, fazendo com que o reajuste da Petrobras tenha praticamente neutralizado o subsídio do governo. “Diante desse cenário se faz necessária a adoção de providências, com a maior brevidade possível, de modo a evitar o agravamento dos riscos de desabastecimento nacional", diz a nota assinada pela Fecombustíveis, Sindicom, Federação Brasilcom, Abicom, Refina Brasil e Sincopetro. + Senacon já notificou 70% do mercado de combustíveis Em coletiva conjunta com o Ministério da Justiça e a Polícia Federal, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) disse já ter notificado 11 distribuidoras por práticas irregulares, fatia que representa 70% do mercado de combustíveis no país. O balanço mostra que a fiscalização da Senacon já alcançou 1.880 postos de gasolina em 179 municípios de 25 estados, com mais de 900 notificações e 36 sanções envolvendo multas e interdições. O esforço se intensificou ao longo desta semana (16 a 20 de março), com o monitoramento de 1.052 postos em 35 municípios e 64 notificações a distribuidoras. Durante o evento, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, anunciou que fará uma força tarefa para monitorar o mercado de combustíveis conjuntamente com outras entidades, incluindo a ANP e Procons estaduais. Pelo escopo de atuação própria de cada órgão, as autuações têm sido feitas separadamente pela ANP, Senacon e Procons. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/preco-do-diesel-aumenta-20-desde-o-inicio-da-guerra-e-setor-alerta-para-risco-de-desabastecimento