Economia

Lula cobra da Petrobras estoque de petróleo para proteger Brasil de choques externos

Em evento na refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), presidente destacou importância de retomar o controle estatal sobre as distribuidoras

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Victor Schneider
Lula e funcionários da Petrobras na Refinaria Gabriel Passos | Ricardo Stuckert/PR

Lula e funcionários da Petrobras na Refinaria Gabriel Passos | Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta sexta-feira (20) que a Petrobras estruture um estoque regulador de petróleo para proteger o Brasil de choques externos, como o causado pela guerra no Irã sobre o mercado global de energia. Hoje, o país tem estoques operacionais em refinarias e distribuidoras para evitar riscos de desabastecimento, mas não há uma reserva voltada a segurar preços ou amortecer crises no médio prazo como a do Oriente Médio.

"Nós precisamos ao longo do tempo construir um estoque regulador. E se essa guerra no Irã durar 30 dias? E se durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz?", questionou o presidente em evento de anúncio da retomada de investimentos na refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG).

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Lula comparou essa garantia com as reservas internacionais construídas durante os seus dois primeiros mandatos, economicamente favorecidos por um ciclo de alta no mercado de commodities e pelo crescimento exponencial de demanda da China, sobretudo em soja e minério de ferro. Do fim de 2002, antes de Lula assumir, até o último ano de seu mandato, em 2010, as reservas brasileiras saltaram de US$ 37,8 bilhões para US$ 288,6 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC).

Nesse sentido, o presidente orientou a estatal a ampliar investimentos em refinarias e criar um colchão de segurança no mercado de energia similar ao que o Brasil tem em dólares. Ele também manifestou a vontade de recomprar a refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Condé (BA), a primeira do Brasil, privatizada em 2021 no governo Bolsonaro.

"A Petrobras vai fazer o investimento que for necessário, reciclar todas as nossas refinarias, e se for preciso fazer refinaria nova, mas a gente vai ter que trabalhar estrategicamente para pensar em um plano de produção e estoque das coisas nossas. Certamente os EUA tem estoque [de combustíveis] para uns 30 dias. Como eles vivem em guerra, eles precisam ter estoque. Certamente a China tem estoque. Certamente a Rússia tem estoque. E nós? [...] Vamos ter que pensar estrategicamente, fazer desse país um país grande de verdade", afirmou.
Lula e autoridades do governo na refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG) | Ricardo Stuckert/PR
Lula e autoridades do governo na refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG) | Ricardo Stuckert/PR

Reestatização das Distribuidoras

Ao passo em que avança na base do governo o plano de reestatizar a BR Distribuidora (atual Vibra), com a coleta de assinaturas para a criação de uma frente parlamentar focada no tema, Lula voltou a dizer que a falta de controle estatal sobre a atuação das distribuidoras favorece aumentos irregulares no preço final dos combustíveis na bomba.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), desde 9 de março, foram fiscalizados 1.196 postos de combustível, 52 distribuidoras e uma refinaria em todo o país. Ao menos 93 postos foram autuados e 21 acabaram interditados por práticas de preços irregulares.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão ligado ao Ministério da Justiça, deu prazo de 48 horas na quinta (19) para que as distribuidoras Vibra, Ipiranga e Raízen apresentem explicações sobre seus custos e possíveis aumentos sem justa causa nos preços dos combustíveis.

“Hoje a gente poderia fazer, se a BR estivesse na nossa mão, a garantia de que o preço da Petrobras aumenta ou não aumenta na bomba para o consumidor de etanol, gasolina e diesel. Mas como a gente não tem mais a distribuidora, a Petrobras determina um preço, esse preço sai no jornal, ganha o distribuidor, e o consumidor fica chupando o dedo", criticou Lula.

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