Política

Governo estabelece margem de segurança para formalizar indicação de Messias ao STF

Estratégia passa por contabilizar votos para a aprovação antes do encaminhamento da mensagem ao Senado

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Jorge Messias, chefe da AGU, é o terceiro indicado de Lula para cargo de ministro do Supremo no atual governo do petista | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Com o retorno dos trabalhos legislativos, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, se prepara para retomar as andanças no Senado em busca de arregimentar votos para a sua indicação para a cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal.

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Interlocutores de Messias afirmam que agora o "jogo recomeça" e que será possível sentir a temperatura sobre a aceitação em relação a seu nome. A avaliação é a de que o clima está melhor do que no ano passado, quando a chance de rejeição do advogado-geral era considerada alta, dada a resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

O governo ainda não encaminhou ao Senado a mensagem formalizando a indicação, rito necessário para que o nome do chefe da AGU possa ser submetido ao aval dos senadores.

Sem essa formalização, Alcolumbre fica impedido de pautar a votação. No ano passado, o senador se disse "perplexo" com a manobra do governo e chegou a anunciar a sabatina para 10 de dezembro, mas depois cancelou a audiência para evitar a alegação de haver irregularidades regimentais no processo.

Interlocutores de Messias afirmam que o governo quer a garantia de ter votos suficientes para uma aprovação tranquila. Nas palavras deles, o encaminhamento da mensagem não acontecerá "enquanto o mar estiver revolto".

Assim, foi estipulada uma margem segura de 55 a 60 apoios contabilizados, para somente depois disso ser formalizada a indicação do ministro. São necessários pelo menos 41 votos para a indicação ao Supremo ser aprovada.

O patamar estipulado pelos estrategistas de Messias é considerado elevado. Flávio Dino, por exemplo, foi aprovado com 47 dos 81 votos dos senadores. Aliados ponderam, por outro lado, que a rejeição do ex-ministro da Justiça era maior e que o chefe da AGU acabou sendo tragado para uma disputa travada por Alcolumbre, que gostaria de indicar o seu antecessor Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o STF.

Desde que foi escolhido por Lula, em 20 de novembro, Messias conversou pessoalmente com cerca de 70 dos 81 senadores.

Até o momento, porém, não houve uma esperada conversa com Davi Alcolumbre. Messias solicitou uma audiência com o comandante do Senado logo depois que teve a indicação confirmada, mas ainda não conseguiu ser atendido.

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