Cerimônia de posse de nova governadora do DF tem presença de Michelle e falas sobre caso BRB e Master
Celina Leão cita atos de 8 de janeiro e afirma que investigações sobre o Banco Regional de Brasília ocorrerão com transparência
Warley Júnior
Durante discurso de posse nesta segunda-feira (30), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), defendeu presos pelos atos do 8 de janeiro e afirmou que investigações do caso BRB/Master ocorrerão com "transparência". A cerimônia, realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), contou com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Em sua fala, Celina saiu em defesa de presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e afirmou que ainda há pessoas "inocentes presas" em decorrência dos episódios.
"Acho que tive ao seu lado nos momentos mais difíceis, os momentos mais difíceis dessa cidade, que foi o 8 de janeiro. Um momento que até hoje as pessoas têm pagado um preço. Nós temos até hoje pessoas inocentes presas. Nós temos até hoje vidas sacrificadas", declarou.
Ao agradecer ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), que renunciou ao cargo para disputar o Senado, Celina relembrou a atuação conjunta durante o período considerado por ela como um dos mais difíceis para o DF.
A governadora também citou Michelle Bolsonaro, a quem chamou de "amiga de fé", e fez uma referência religiosa ao afirmar que o momento vivido por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro é um "deserto".
"Esse deserto que eu acredito que o povo brasileiro passa, que as pessoas passam, que Bolsonaro passa, que você, a sua luta diária passa, ele vai ter fim. Ele terá um fim. E eu tenho certeza que esse fim está muito próximo", disse.
Caso BRB e Master
Já empossada, Celina também comentou as investigações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e negociações com o Banco Master. As declarações ocorrem em meio à crise na instituição financeira, que é controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF). A governadora afirmou ainda que nunca participou de nenhuma decisão envolvendo o banco.
"O BRB é um patrimônio do povo do Distrito Federal. Deixo claro que não participei de nenhuma decisão sequer consultada sobre o assunto. E no nosso governo não cabe omissão. As investigações estão em andamento na Justiça e devem ocorrer com independência, transparência e dentro da lei", afirmou.
O caso envolve apurações sobre a compra de ativos do Banco Master pelo BRB. Investigações apontam que o banco público adquiriu cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados irregulares da instituição privada, embora o BRB afirme ter recuperado parte desses valores.
A crise ganhou força em novembro do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, que apura a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras no âmbito do Sistema Financeiro Nacional. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo.
No mesmo dia da operação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Em nota divulgada à época, o BRB afirmou que "sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência" e que presta regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central.
Atualmente, a necessidade de provisões do BRB gira em torno de R$ 8,8 bilhões, mas uma auditoria forense independente estima impacto de até R$ 13,3 bilhões em operações com indícios de falta de lastro.
O banco também enfrenta dificuldades para divulgar os resultados financeiros de 2025 dentro do prazo, até o fim deste mês. Sem publicar balanços desde o segundo trimestre do ano passado, a instituição pode sofrer sanções do Banco Central, como intervenção, federalização ou, em caso extremo, liquidação extrajudicial.
Celina Leão assumiu o governo do Distrito Federal após a renúncia de Ibaneis Rocha, anunciada no último sábado (28), em meio à crise envolvendo o BRB.








