Tusk acusa Rússia de alimentar instabilidade na Polônia
Primeiro-ministro diz que Moscou tenta interferir na disputa pelo Judiciário entre seu governo e o presidente nacionalista Karol Nawrocki

Primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, discursa durante o Fórum de Segurança de Varsóvia, em Varsóvia, na Polônia | Aleksandra Szmigiel/Reuters
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, acusou nesta terça-feira (3) a Rússia de alimentar instabilidade na Polônia ao se intrometer na disputa entre seu governo, pró-União Europeia, e o presidente nacionalista Karol Nawrocki pelo controle do Tribunal Constitucional.
O conflito entre as autoridades polonesas atingiu seu auge no final de semana, quando a decana da mais alta corte do país, Anna Korwin-Piotrowska, apoiada por Tusk, suspendeu o presidente do tribunal, Bogdan Święczkowski, que é aliado de Nawrocki, gerando um impasse que ainda não foi superado.
Políticos russos, incluindo Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, descreveram as medidas do governo de Tusk na disputa sobre o tribunal como “um golpe”. O primeiro-ministro polonês respondeu.
“Observamos a atividade da Rússia e de políticos pró-russos — tanto internacionalmente quanto dentro do país — centrada em nossa causa, que é defender o Tribunal Constitucional contra o comportamento agressivo de políticos e dos manifestantes que eles provocam”, disse Tusk.
“Todos nós conhecemos o método russo de se envolver em conflitos internos. Hoje, estamos testemunhando tensões provocadas pelos russos, seja em relação às eleições de meio de mandato (nos Estados Unidos) ou por meio do fomento de uma sensação de instabilidade (na Polônia), com base no comportamento agressivo de políticos da oposição e do presidente”, acrescentou.
A embaixada russa em Varsóvia não se manifestou sobre as falas do primeiro-ministro polonês.
Apesar de sua acirrada rivalidade pessoal e política, tanto Tusk quanto Nawrocki são críticos de longa data da Rússia, especialmente em relação à invasão da Ucrânia em 2022. Ambos apoiam o aumento dos gastos com defesa diante do que consideram ameaças de Moscou à segurança polonesa.
Crise no Tribunal Constitucional
O embrião da crise no Tribunal Constitucional da Polônia teve início em 2015. Naquele ano, o partido conservador nacionalista Lei e Justiça (PiS) chegou ao poder e passou a nomear juízes para a principal corte do país. A oposição contestou as nomeações, alegando que o governo havia colocado aliados políticos nos cargos, comprometendo a independência do Judiciário.
Em 2023, Tusk, do partido Plataforma Cívica, venceu as eleições e voltou ao cargo de primeiro-ministro. Dois anos depois, em 2025, Nawrocki foi eleito presidente com apoio do PiS.
Em 2026, o Parlamento polonês, que tem sua maioria ligada a Tusk, elegeu novos integrantes para o Tribunal Constitucional. No entanto, Nawrocki se recusou a receber o juramento de alguns desses juízes, que ficaram impedidos de exercer suas funções. Além disso, Święczkowski não permitiu que eles novos integrantes participassem dos trabalhos da corte.
A tensão culminou com a suspensão de Święczkowski e de seu vice, Bartłomiej Sochański, promovida na noite de sexta-feira (30) pela decana do Tribunal Constitucional, Korwin-Piotrowska. Ela afirmou que estava assumindo a liderança da corte para restabelecer seu funcionamento legal.
Os aliados de Święczkowski afirmaram que a medida é ilegal. Houve protestos e desde sexta-feira a polícia polonesa está fazendo a segurança no perímetro em volta do prédio do tribunal.















