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Trump diz que vai cortar apoio de US$ 4 bilhões a Israel

Fala do presidente dos Estados Unidos ocorre em momento no qual Netanyahu corre o risco de deixar o cargo de primiro-ministro

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André de Sena, com informações da Reuters
Presidente dos EUA, Donald Trump | Nathan Howard/Reuters

Presidente dos EUA, Donald Trump | Nathan Howard/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (3) que chegou a um acordo com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para que Washington abandone o financiamento de US$ 4 bilhões anuais a Tel Aviv ao final deste ano.

A informação foi compartilhada pelo republicano durante uma entrevista ao programa Fox and Friends, da emissora de televisão Fox News, na qual ele disse que Israel não precisa mais do financiamento e que alguns democratas estão usando o apoio financeiro de Washington a Tel Aviv para criticar os republicanos.

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“Agora, no que diz respeito aos pagamentos a Israel, Bibi Netanyahu e eu chegamos a um acordo de que daríamos a Israel US$ 4 bilhões por ano, e há meses combinamos que iríamos interromper isso”, disse Trump. “Já concordamos que, até o final deste ano, não faremos mais pagamentos a Israel. Agora, ajudaremos Israel se for necessário”, acrescentou.

O gabinete do primeiro-ministro israelense não se pronunciou sobre o assunto. O anúncio de Trump, que é o principal aliado geopolítico de Netanyahu, ocorre em um momento no qual ele corre o risco de deixar o cargo. O atual chefe do Executivo de Israel tem dificuldades para formar maioria no parlamento após as eleições legislativas e é ameaçado pelo líder da oposição, Gadi Eisenkot.

Não ficou claro a exatamente qual financiamento Trump se referiu. Um memorando de entendimento que prevê US$ 3,8 bilhões em ajuda militar anual de Washington a Tel Aviv vai expirar em 2028. Conversas estão em andamento para definir como o apoio financeiro vai evoluir dali em diante.

"Eles podem comprar o que quiserem. Eles podem comprar o que quiserem. A Europa também. Nós fabricamos as melhores armas do mundo", afirmou Trump na entrevista à Fox News.

"De receptor de ajuda a parceiro"

Em maio, Netanyahu disse em entrevista à emissora de televisão americana CBS esperar que Israel deixasse de depender do apoio militar dos Estados Unidos em uma década. No mês seguinte, ele enviou uma carta a um congressista norte-americano alegando que havia chegado a hora de seu país "passar de receptor de ajuda a parceiro".

O apoio da população americana a Israel caiu desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 2023, principalmente entre os democratas. Uma pesquisa realizada em junho pela Universidade Quinnipiac revelou que 48% dos eleitores acreditam que Washington apoia Tel Aviv em excesso. Entre os democratas, esse número aumenta para 66%. Na primeira vez que o levantamento foi feito, em 2017, as porcentagens eram de 16% e 20%, respectivamente.

"A esquerda usa o pagamento de US$ 4 bilhões, que todos conhecem, bem, não é segredo, como um sinal de injustiça, e não podemos permitir que isso aconteça", disse Trump. "Estávamos dando a eles US$ 4 bilhões, sim, estamos, mas o pagamento será cortado no final do ano", afirmou. "Por quê? Porque eles não precisam."

As declarações ocorrem em meio as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, nas quais Trump corre o risco de perder a maioria do Congresso para os democratas.

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