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Benjamin Netanyahu perde maioria no Parlamento de Israel

Bloco do primeiro-ministro conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, enquanto oposição somou 48 e partidos árabes alcançaram resultado histórico, com 19

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Caroline Vale
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu | Foto: Ronen Zvulun/Reuters

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu | Foto: Ronen Zvulun/Reuters

O bloco do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, terminou as eleições legislativas com 53 das 120 cadeiras do Parlamento, abaixo dos 68 que possuía na legislatura anterior. Os resultados oficiais foram divulgados pela Comissão Eleitoral Central na madrugada desta sexta-feira (30).

A oposição, liderada por Gadi Eisenkot, conquistou 48 assentos. Já os partidos árabes alcançaram 19 cadeiras, o melhor resultado da história do grupo. Apesar de somarem 67 parlamentares, os dois campos contrários a Netanyahu não têm uma aliança garantida para formar o próximo governo.

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O Likud, partido de Netanyahu, foi a maior legenda individual, com 27 cadeiras. O Yashar, de Eisenkot, ficou em segundo lugar, com 21. Entre os demais partidos eleitos estão B’Yachad, com 12 assentos; Lista Conjunta, com 11; e Democratas, com oito.

O comparecimento às urnas foi de 77,9%, o maior em décadas, segundo a comissão eleitoral. Ao todo, 5.716.665 votos foram contabilizados.

O que acontece agora?

O presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá receber os resultados oficiais completos na quarta-feira (4 de novembro). Depois, vai se reunir com os líderes dos partidos para ouvir suas recomendações sobre quem deve receber a missão de formar o próximo governo.

O parlamentar escolhido terá inicialmente 28 dias para construir uma coalizão, prazo que pode ser prorrogado por mais duas semanas. Caso não consiga, Herzog poderá indicar outro nome para tentar formar uma maioria.

Para governar com maioria no Knesset, são necessários pelo menos 61 dos 120 assentos. Tanto Netanyahu quanto Eisenkot afirmaram que pretendem liderar o próximo governo, mas nenhum dos blocos tem, até agora, apoio suficiente para alcançar esse número.

O líder do partido Democratas, Yair Golan, defendeu a participação das legendas árabes em uma eventual coalizão de oposição. Já outros líderes oposicionistas, como Eisenkot, Naftali Bennett e Avigdor Liberman, descartaram ou demonstraram resistência a uma aliança com esses partidos.

Em declaração publicada nas redes sociais, o ex-primeiro-ministro e líder do B’Yachad, Yair Lapid, celebrou que a oposição teve uma vitória, embora sem maioria assegurada. Ele pediu paciência durante as negociações e disse que o grupo trabalha para tentar formar um governo.

Acusação de Netanyahu sobre fraude

A Comissão Eleitoral Central também voltou a negar denúncias de fraude eleitoral generalizada. Segundo o órgão, as informações divulgadas sobre possíveis irregularidades não têm fundamento, e uma investigação em andamento não deverá alterar os resultados finais.

O primeiro-ministro tinha contestado o resultado das eleições e acusou partidos árabes de fraude eleitoral, sem apresentar provas. O premiê afirmou que os ganhos históricos das legendas árabes teriam sido impulsionados, em parte, por irregularidades na votação.

O Likud, partido de Netanyahu, pediu que a polícia e o serviço de inteligência interna, Shin Bet, investigassem suspeitas de suborno e intimidação de eleitores.

O Catar foi apontado pelo Likud como possível responsável por financiar a suposta interferência. A Comissão Eleitoral afirmou que a apuração não está relacionada a um setor específico da população.

A nova legislatura está prevista para tomar posse em 10 de novembro, independentemente das negociações para a formação do governo. Caso nenhum acordo seja alcançado, Israel poderá enfrentar novas eleições.

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