Quem é o assessor de Trump que ajudou Flávio a fugir
Antes de auxiliar o senador a voar para os EUA, Jason Miller esteve no centro no noticiário brasileiro ao ser abordado pela PF no aeroporto de Brasília, em 2021

Jason Miller, assessor de Donald Trump, posa ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro | Foto: Reprodução/Twitter
O estrategista de comunicação Jason Miller, aliado de Donald Trump, ajudou a conseguir o avião fretado que levou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da Argentina aos Estados Unidos, segundo o jornal "The Wall Street Journal". Após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, o senador deixou o Brasil apesar de uma ordem judicial que o impedia de sair do país.
A ligação com a família Bolsonaro já havia colocado Miller no centro do noticiário brasileiro em setembro de 2021. No dia 7 daquele mês, ele foi abordado pela Polícia Federal (PF) no aeroporto de Brasília, antes de embarcar para os EUA. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prestou depoimento no inquérito sobre atos antidemocráticos e foi liberado em seguida.
🤳 Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! Clique aqui
Naquele período, Miller estava no Brasil a convite de Eduardo Bolsonaro para participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) e promover a Gettr, rede social que lançou naquele ano. Durante a visita, reuniu-se com o deputado e com o então presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada.
Além da proximidade com a família Bolsonaro, Miller é conhecido por ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em agosto de 2025, chamou o brasileiro de "Biden dos Trópicos". Já em janeiro de 2026, dirigiu um palavrão ao petista após ele condenar a operação militar americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Em entrevista à coluna do Leandro Magalhães, publicada em maio deste ano, Miller voltou a criticar Lula e afirmou que iria "expor" o presidente, sem explicar em qual contexto faria isso. Na ocasião, também reafirmou apoio à candidatura de Flávio à Presidência da República nas eleições de 2026.
Miller também se envolveu na divulgação de alegações de fraude eleitoral, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. O relatório da comissão que investigou o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, registra que ele promoveu publicamente acusações de fraude na eleição americana de 2020.
Já em 8 de janeiro de 2023, dia dos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília, compartilhou na Gettr uma notícia sobre a invasão do Congresso com a legenda "Lula roubou as eleições dos brasileiros”, sem apresentar provas. A manifestação reforçou seu alinhamento ao bolsonarismo mesmo após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro.
Trajetória
Com décadas de atuação na política americana, Jason Miller é atualmente assessor sênior de Donald Trump, com atuação na estratégia de comunicação da Casa Branca. Aliado de longa data do presidente dos EUA, integrou as equipes das campanhas do republicano em 2016, 2020 e 2024.
Antes de se aproximar de Trump, trabalhou para políticos como Matt Bevin, ex-governador do Kentucky, e Mark Sanford, ex-deputado pela Carolina do Sul. Em 2016, integrou a campanha de Ted Cruz, adversário de Trump nas prévias republicanas, antes de passar para a equipe do futuro presidente.
Naquele ano, ganhou projeção como um dos principais responsáveis pela comunicação da campanha vitoriosa do empresário e trabalhou na transição presidencial. Em dezembro, foi anunciado como futuro diretor de comunicação da Casa Branca, mas desistiu antes de assumir. Na justificativa pública, afirmou que precisava priorizar a família.
Miller voltou a trabalhar com Trump na campanha à reeleição de 2020, como assessor sênior. No ano seguinte, lançou a Gettr, apresentada como alternativa às grandes plataformas sob a bandeira da liberdade de expressão, meses após o bloqueio do republicano nas principais redes sociais na esteira do ataque ao Capitólio.
A iniciativa aproximou o americano de políticos e influenciadores conservadores brasileiros, em um momento de embates sobre a moderação de conteúdo nas redes. Em fevereiro de 2023, deixou o comando executivo da plataforma para retornar à equipe eleitoral de Trump na disputa de 2024, consolidando sua participação nas três campanhas do republicano à Casa Branca.















