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PF: BRB fracionou operações do Master para evitar conselho

Em depoimento de Paulo Henrique, investigadores questionaram divisão em blocos de R$ 750 milhões; estratégia era evitar análise do Conselho de Administração

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Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB | Divulgação/Rafael Lavenère/BRB

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB | Divulgação/Rafael Lavenère/BRB

A Polícia Federal (PF) suspeita que o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa dividiu operações com o Banco Master em blocos de R$ 750 milhões para evitar que os negócios precisassem de autorização do Conselho de Administração, segundo a investigação da Polícia Federal. Com o fracionamento, as decisões ficariam restritas à Diretoria Colegiada, presidida por Costa.

A hipótese consta de inquérito aberto pelo órgão. "As aquisições foram aprovadas de forma segmentada, em tranches reiteradamente fixadas no limite máximo de R$ 750 milhões, embora integrassem uma mesma estratégia negocial concentrada em uma única contraparte, acumulando R$ 17,5 bilhões em operações", diz a corporação. "Verificou-se, por exemplo, o fracionamento sucessivo das operações para mantê-las dentro da alçada decisória da Diretoria Colegiada do Banco de Brasília – evitando sua submissão ao Conselho de Administração."

No depoimento de 15 de outubro, inclusive, a PF questionou Costa sobre a aprovação de operações bilionárias sem a devida verificação dos contratos. O ex-presidente afirmou que as decisões de crédito eram colegiadas e sustentou que sua atuação se concentrava na estratégia e na rentabilidade dos negócios, enquanto os procedimentos operacionais caberiam às áreas técnicas.

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“Eu analisava a estratégia, eu analisava o volume, eu analisava a rentabilidade, eu analisava a relevância da carteira, a pulverização em convênios que era desejável. Uma série de procedimentos operacionais, não é minha responsabilidade. É olhar, está num parecer, todos os pareceres normalmente são discutidos”, afirmou Costa.

O ex-presidente também argumentou que os procedimentos adotados pelo BRB nas negociações com o Master eram semelhantes aos utilizados com outras instituições financeiras.

“Os contratos que o BRB faz, fez com o Master, e os processos que o BRB adotou com o Master são iguais aos que o BRB usava com outras 10 instituições ou 9 instituições financeiras, e mais, o que essas instituições financeiras usavam com o BRB quando o BRB cedia as carteiras dele para essas empresas”, declarou.

A investigação da PF aponta ainda que as áreas de compliance e risco do BRB emitiram pareceres contrários às operações desde o início de 2025. Os documentos indicavam que as compras eram realizadas sem o envio da base de clientes pelo Master, o que impedia a verificação dos contratos e dificultava o cumprimento das obrigações de envio de dados ao Banco Central.

Costa contestou os apontamentos e afirmou que pareceres técnicos costumam apresentar riscos genéricos, comuns às instituições financeiras. Ele também classificou os atrasos atribuídos ao Master como problemas operacionais de conciliação de sistemas.

O ex-presidente também sustentou que sua função era estratégica e envolvia decisões sobre volume, rentabilidade e relevância das carteiras. Segundo ele, a conferência do lastro dos contratos cabia às áreas técnicas responsáveis pelo controle interno e pelo risco de crédito.

Costa também questionou a atuação do Banco Central. Segundo ele, caso a autoridade monetária já identificasse riscos relevantes nas operações do Master, deveria ter emitido um alerta formal ao BRB para impedir novos negócios com a instituição.

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