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Ex-chefe do BRB diz que venda ao Master foi ordem de Ibaneis

Depoimento de Paulo Henrique Costa à PF indica que então governador do DF participou diretamente das negociações; Ibaneis nega

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Paulo Henrique Costa (à esq.) e Ibaneis Rocha | Reprodução

Paulo Henrique Costa (à esq.) e Ibaneis Rocha | Reprodução

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa disse, em depoimento prestado à Polícia Federal, que uma tentativa de compra do banco regional pelo Master foi ordenada pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em reunião realizada na casa de Daniel Vorcaro em setembro de 2024.

Em nota, Ibaneis disse que "jamais" sugeriu a operação e que Costa era seu nome de "confiança técnica". "O ex-presidente detinha completa autonomia e responsabilidade acerca das operações do Banco de Brasília", afirmou. O governo do DF é o acionista majoritário do BRB.

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A oitiva foi colhida em 15 de outubro e tornada pública pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29) dentro do inquérito que investiga um suposto esquema de venda de carteiras de crédito podres do Master ao BRB que culminou em um rombo bilionário. A PF pediu na quarta (28) o indiciamento de Vorcaro, Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas no relatório preliminar sobre o caso.

Segundo Paulo Henrique Costa, ele foi avisado da reunião pelo gabinete de Ibaneis e tentou se esquivar por estar em viagem, mas terminou indo ao encontro. Nele, estariam presentes outras quatro figuras além do então governador e de Vorcaro.

“O governador fala: 'Olha Paulo, eu queria te apresentar o Daniel'. Eu falei: 'Eu já conheço, a gente faz algumas cessões de crédito e tal'. Mas aí ele diz: 'Paulo, estruture uma venda do BRB para o Master'", relata o ex-presidente do BRB.

Segundo Paulo Henrique Costa, o pedido causou estranheza no momento. Em reunião posterior com Ibaneis, ele se posicionou contra a venda, que envolveria ações mantidas pelo Iprev (Instituto de Previdência dos Servidores) do Distrito Federal, que detinha cerca de 16,5% do BRB. “Eu fui pego de surpresa de maneira contrária", afirmou.

Mais adiante no depoimento, o ex-presidente do banco regional diz que a operação foi invertida para que o BRB comprasse o Master em uma reunião realizada na Suíça.

“A gente virou o jogo. [...] Nesse jantar eu digo: olha, governador, a gente tem uma proposta diferente mais vantajosa para o BRB. O BRB vai ser o controlador. O BRB vai poder escolher ativos e passivos. O que exatamente ganha. Vai ter que ter várias auditorias, não só as auditorias iniciais, mas auditorias de fichamento. O BRB vai ter controle do processo", relata Costa.

O acordo de compra do Master pelo BRB foi anunciado em março de 2025, mas barrado pelo Banco Central (BC) em 3 de setembro daquele ano. Em novembro, o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado e ele preso tentando deixar o país no aeroporto de Guarulhos. Já Paulo Henrique Costa foi detido em abril deste ano.

Esquema

A Polícia Federal identificou que o Master negociou R$ 17,5 bilhões em ativos de crédito com o BRB, dos quais R$ 12,2 bilhões representavam carteiras "podres" – ou seja, sem lastro ou qualquer valor real. As carteiras haviam sido compradas pelo Master da empresa de consultoria Tirreno.

A origem eram operações de empréstimo consignado ligados a associações de servidores públicos da Bahia, o Credcesta. A revenda era parte de uma estratégia para inflar o balanço do Master na tentativa de camuflar a falta de liquidez do banco de Daniel Vorcaro.

O negócio do Master com o BRB era feito em sucessivas parcelas de R$ 750 milhões, valor máximo permitido para uma operação sem precisar do aval do Conselho de Administração do BRB. Dos R$ 17,5 bilhões, o BRB pagou R$ 7,6 bilhões sem nem analisar o parecer técnico sobre o perfil das carteiras do Master, com os outros R$ 7 bilhões sendo aprovados mesmo com alertas enviados à diretoria do banco regional.

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