Política

PL muda rota após multa de R$ 22 mi por contestar eleição

Partido foi punido depois de alegar problemas nas urnas em 2022; agora, Valdemar Costa Neto reconhece vitória de Lula e critica carta de Flávio

Avatar de Victor Schneider
Victor Schneider
Valdemar Costa Neto é presidente do Partido Liberal | Beto Barata/ PL

Valdemar Costa Neto é presidente do Partido Liberal | Beto Barata/ PL

Passada uma derrota considerada surpreendente nas eleições presidenciais, o Partido Liberal (PL) decidiu adotar postura diferente à de quatro anos atrás: a legenda reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia seguinte ao segundo turno, silenciou sobre contestações às urnas e não endossou a carta em que Flávio Bolsonaro alega fraude no pleito e se declara “líder do Brasil", em tentativa de comandar a oposição a partir dos Estados Unidos.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, não escondeu a insatisfação com o documento e com a fuga repentina do senador. “Flávio passou por uma situação difícil, nós compreendemos, mas não aprovamos. Queremos tocar o país para frente", disse Valdemar na quinta (29) depois de visitar o pai do senador, Jair Bolsonaro (PL), na residência em que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e outros crimes correlatos.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Para além de um gesto de endosso à lisura do sistema eleitoral, parte dessa decisão também mira preservar os bolsos do partido. Isso porque o PL foi multado em R$ 22,9 milhões no fim de 2022 por pedir a invalidação de votos de 279 mil urnas que, segundo a legenda, não poderiam ser auditadas por um problema nos “logs”, onde são mostrados os códigos da cidade, da zona e da seção eleitoral de cada urna.

Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro em reunião na sede do PL, em Brasília | Beto Barata/Partido Liberal
Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro em reunião na sede do PL, em Brasília | Beto Barata/Partido Liberal

O argumento foi considerado “esdrúxulo” pelo então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, que condenou a coligação encabeçada pelo PL por litigância de má-fé –quando se aciona a Justiça com propósito fraudulento para tumultuar um processo ou atrasar um julgamento.

“Conforme se depreende de modo cristalino da documentação técnica acostada aos presentes autos, as urnas eletrônicas, de todos os modelos, são perfeitamente passíveis de plena, segura e clara identificação individual, uma a uma", disse Moraes à época.

A coligação, que também incluía Republicanos e PP, foi condenada a pagar multa de R$ 22.991.544,60, além de perder acesso ao Fundo Partidário. Posteriormente, os dois partidos disseram não ter endossado a contestação e não precisaram participar do pagamento. As contas do PL só foram desbloqueadas em fevereiro de 2023 com a quitação do débito.

Neste ano, o partido obteve a maior fatia do Fundão Eleitoral: R$ 881 milhões. A distribuição é a seguinte: 2% do fundo é repassado igualmente a todos os 30 partidos com registro no TSE; 35% conforme os votos recebidos na Câmara na última eleição; 48% conforme o tamanho atual da bancada na Câmara; e 15% conforme a bancada no Senado.

O PL também saiu das urnas como o maior partido do país: terá 121 deputados e 29 senadores, número que ainda pode crescer pela ausência de restrições à migração partidária no Senado.

Últimas notícias