Economia

Ibovespa cai 2% com temores sobre juros e inflação

Bolsa repercute piora nas expectativas do mercado; Durigan afirma que não há razão para “medo” da Faria Lima e promete ajuste fiscal gradual, mas não dá prazo

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Caio Barcellos
Bolsa de Valores abre em queda nesta terça (3) | Reprodução

Bolsa de Valores abre em queda nesta terça (3) | Reprodução

O Ibovespa operava em queda de 1,72% por volta do meio-dia desta terça-feira (3), aos 165.037 pontos, ampliando as perdas registradas desde a reeleição do presidente Lula (PT).

Na semana passada, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) acumulou baixa de 18,12%, a maior desde março de 2020, quando o início da pandemia de Covid-19 provocou uma onda de perdas nos mercados financeiros mundiais.

Entre as ações de maior peso no índice, a Petrobras (PETR4) registrava queda de 4,15%, com os papéis negociados a R$ 50,52. A mineradora Vale (VALE3) também apresentava desempenho negativo, com recuo de 1,47%, a R$ 61,11.

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Expectativas pioram

O pessimismo da Faria Lima aumentou com a divulgação do primeiro Boletim Focus com expectativas coletadas pelo Banco Central (BC) após as eleições. Para 2026, o levantamento mostra:

- Selic (juros): projeção elevada de 13,25% para 13,50% ao ano;

- Inflação: estimativa aumentou de 5,19% para 5,22%;

- Dólar: previsão passou de R$ 5,05 para R$ 5,34;

- Crescimento do Produto Interno Bruto (PIB): expectativa reduzida de 1,80% para 1,76%.

Para 2027, as principais revisões foram:

- Selic: de 11,75% para 12,50% ao ano;

- Inflação: de 4,34% para 4,76%;

- Dólar: de R$ 5,15 para R$ 5,40;

- Crescimento do PIB: de 1,31% para 1,20%.

A nova projeção para a inflação de 2027 passou a superar o teto de 4,5% da meta perseguida pelo BC, cujo centro é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

O levantamento foi divulgado no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou sua reunião para definir o futuro da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. A decisão será anunciada na noite desta quarta-feira (4), com expectativa de manutenção.

Fazenda promete ajuste, mas sem prazo

Em meio às turbulências, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou mais cedo que o governo pretende promover um “ajuste gradual” das contas públicas, mas ainda não estabeleceu uma data para anunciar as medidas econômicas que serão adotadas após a reeleição de Lula.

"Nós estamos tratando de um ajuste gradual que respeite os compromissos de campanha, que seja justo em relação aos mais pobres, em relação à progressividade que é necessária ser buscada no nosso sistema", disse para jornalistas.

Segundo Durigan, o objetivo é melhorar o resultado primário, indicador que representa a diferença entre receitas e despesas públicas, sem considerar os juros da dívida. O ministro, no entanto, evitou antecipar propostas concretas, argumentando que as decisões ainda precisam ser discutidas pela equipe econômica e pelo presidente.

Questionado sobre as medidas em avaliação com o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, Durigan defendeu uma revisão das políticas públicas existentes, com foco na eficiência dos gastos e na preservação dos compromissos sociais.

"Fazendo com rigor a avaliação das políticas públicas já existentes, não para tirar direitos, mas para garantir que o dinheiro público seja bem aplicado, e olhar para os investimentos estratégicos do país, melhorando a governança do governo", declarou.

O ministro também procurou minimizar as preocupações dos investidores com eventuais mudanças na condução da política econômica e monetária. Segundo ele, as conversas realizadas até agora com Lula não justificam o pessimismo demonstrado por parte do mercado financeiro.

“O presidente não tem agenda com outros economistas, ele tem tido agenda comigo. E nas agendas comigo, nós não estamos tratando de nada que justifique ao mercado ter uma posição de medo”, disse em referência a André Lara Resende.

Durigan acrescentou que o presidente ainda precisará avaliar os diferentes cenários econômicos antes de definir as medidas para o próximo mandato e os próximos nomes para o BC, sem estabelecer um cronograma para a apresentação das propostas e indicados.

Eleições nos Estados Unidos

No cenário internacional, os investidores também acompanham as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira para renovar toda a Câmara dos Representantes e aproximadamente 1/3 do Senado.

Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso. Na Câmara, o parido de Donald Trump ocupa 218 das 435 cadeiras, contra 214 dos democratas -as outras três estão vagas. No Senado, os governistas também detém a maioria, com 53 dos 100 assentos.

O resultado poderá alterar essa correlação de forças e a capacidade de Trump de avançar com sua agenda econômica e política. A mudança também poderá influenciar as expectativas dos investidores sobre a política fiscal, as relações comerciais e os rumos da economia norte-americana, com possíveis reflexos sobre os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

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