Brasil

Polícia Federal busca concluir inquéritos da "Abin paralela" e do uso da PRF por Bolsonaro ainda em 2024

Diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que relatórios estão em fase final e defende apurações sem fins políticos

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Ricardo Brandt
04/12/2024, 19:29 • Atualizado em 04/12/2024, 21:30
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Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.

Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.

A Polícia Federal (PF) deve concluir nas próximas semanas os inquéritos que investigam a "Abin paralela" e o do uso político da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no governo de Jair Bolsonaro. O diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, afirmou nesta quarta-feira (4) que há "um esforço das equipes" que atuam nos casos para entrega dos relatórios finais ainda em 2024.

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A afirmação foi feita à imprensa, em um café com jornalistas, em Brasília. No encontro, o chefão da PF apresentou um balanço das atividades policiais em 2024 e rebateu criticas, ao ser questionado.

As apurações da chamada "Abin paralela" - referência a um grupo ilegal que funcionaria dentro da Agência Brasileira de Inteligência - decorrem da Operação Última Milha, de outubro de 2023.

O caso revelou o uso indevido de um programa de monitoramento de dispositivos móveis da Abin que seria usado para rastrear celulares sem autorização judicial de inimigos políticos. Os principais alvos são o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor geral da Abin, e o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

A lista de espionados reúne nomes como o do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o ex-deputado e ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB-RJ), a ex-deputada Joice Hasselmann, entre outros.

Foram deflagradas, desde então, pelo menos quatro novas fases de buscas e apreensões, sem conclusão do inquérito. Em janeiro deste ano, por exemplo, a Operação Vigilância Aproximada mirou o núcleo político da "Abin paralela". Entre os alvos, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), "filho 02" do ex-presidente e suposto líder do chamado "gabinete do ódio".

O caso de uso da Polícia Rodoviária Federal envolve o ex-chefão Silvinei Vasques, por direcionamento de operações nas estradas, durante as Eleições 2022, em benefício da reeleição de Bolsonaro.

Em agosto, a PF indiciou o ex-diretor-geral da PRF e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. O relatório final chegou a ser entregue ao Supremo, mas a Procuradoria-Geral da República pediu mais dados.

Eixo

O diretor-geral da PF rebateu críticas sobre o indiciamento de parlamentares por manifestações na Câmara. Nos últimos dias, políticos atacaram o trabalho policial contra parlamentares no Congresso.

"Não há nada que vai afastar a Polícia Federal do seu eixo de atuação. Nossa garantia não é a opinião de quem quer seja, é a lei", afirmou o diretor-geral.

Na terça-feira (3), durante audiência do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, na Comissão de Segurança Pública da Câmara, ele foi confrontado pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que foi indiciado pela PF por atacar o delegado da PF que trabalha nos inquéritos contra bolsonaristas.

"Não existe ‘imunidade absoluta’ e que é preciso diferenciar o que é direito do parlamento e o que é crime.”

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