Política

Câmara do Recife rejeita pedido de impeachment de João Campos (PSB)

Ação contra o prefeito ligava impeachment à reclassificação de candidato em concurso público para procurador do município

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Foto: Reprodução | Câmara Municipal de Recife

Em uma sessão marcada por protestos e interrupções, a Câmara Municipal do Recife decidiu nesta terça-feira (3) arquivar o pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). Entre os 37 vereadores presentes, 25 votaram contra a denúncia, nove a favor e um se absteve.

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O pedido havia sido protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo) em dezembro de 2025 e acusava o prefeito de crime de responsabilidade e infração político-administrativa em razão da alteração no resultado de um concurso público para procurador do município.

A acusação envolveu a alteração do resultado de um concurso público que teria favorecido Lucas Vieira Silva, filho de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco e de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado.

O caso começou com a vaga destinada a pessoas com deficiência no concurso de 2023: Lucas, que havia ficado em 63º lugar, apresentou dois anos depois um laudo médico atestando Transtorno do Espectro Autista (TEA) e solicitou reclassificação para a vaga. Inicialmente nomeado pelo prefeito, ele teve a nomeação revertida após repercussão negativa e questionamentos de associações de procuradores municipais, mantendo a vaga conforme a lista original homologada em 2023.

Durante a sessão da Câmara, que debateu o caso, grupos ligados ao MBL e setores bolsonaristas contestaram as restrições de acesso às galerias, enquanto apoiadores do prefeito permaneceram no plenário. Interrupções e troca de acusações levaram à intervenção da presidência da Casa.

Com a rejeição da denúncia, o processo de impeachment não avançará, e João Campos segue no cargo de prefeito do Recife.

Em nota, a Associação dos Procuradores do Município do Recife (APMR) explicou que a reavaliação preservou princípios como segurança jurídica, isonomia e confiança legítima, garantindo a estabilidade da carreira de Procurador do Município. A entidade também destacou o apoio recebido de associações nacionais de procuradores e reafirmou a importância da Advocacia Pública na defesa do interesse público e da estabilidade institucional.

Veja como votaram os vereadores:

Votaram a favor do impeachment:

1 - Alcides Teixeira Neto (Avante);

2 - Alef Collins (PP);

3 - Davi Muniz (PSD);

4 - Felipe Alecrim (Novo);

5 - George Bastos (Novo) *suplente;

6 - Gilson Machado Filho (PL);

7 - Paulo Muniz (PL);

8 - Thiago Medina (PL);

9 - Fred Ferreira (PL).

Votaram não:

01 - Aderaldo Pinto PSB)

02 - Carlos Muniz (PSB);

03 - Chico Kiko (PSB);

04 - Cida Pedrosa (PCdoB);

05 - Eduardo Mota (PSB);

06 - Eriberto Rafael (PSB);

07 - Fabiano Ferraz (MDB);

08 - Felipe Francismar (PSB);

09 - Gilberto Alves (PRD);

10 - Hélio Guabiraba (PSB);

11 - Júnior Bocão (PSD);

12 - Júnior de Cleto (PSB);

13 - Kari Santos (PT);

14 - Liana Cirne (PT);

15 - Luiz Eustáquio (PSB);

16 - Natália de Menudo (PSB);

17 - Osmar Ricardo (PT);

18 - Professora Ana Lúcia (Republicanos);

19 - Rinaldo Júnior (PSB);

20 - Rodrigo Coutinho (Republicanos);

21 - Romerinho Jatobá (PSB);

22 - Samuel Salazar (MDB);

23 - Tadeu Calheiros (MDB);

24 - Wilton Brito (PSB);

25 - Zé Neto (PSB).

Abstenções:

1 - Jô Cavalcanti (PSOL): abstenção;

2 - Agora é Rubem (PSB): não votou;

3 - Flávia de Nadegi (PV): não votou.

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