Novo líder do PT na Câmara diz ser favorável à CPI do Master
Pedro Uczai (PT-SC) afirmou, porém, que a bancada do partido será contra a proposta de comissão mista do deputado Carlos Jordy (PL-RJ)


Gabriela Tunes
O deputado Pedro Uczai (PT-SC), empossado novo líder do PT na Câmara, disse nesta terça (3) ser favorável à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master.
Conforme Uczai, o propósito da CPI será examinar indícios de irregularidades em operações financeiras do banco, incluindo a relação com o Banco de Brasília (BRB) e o envolvimento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), no processo de compra do Master pelo BRB, que acabou barrado pelo Banco Central em setembro do ano passado.
“A decisão sobre a CPI do Banco Master será tomada em breve. Pessoalmente, sou favorável à criação da CPI, e a bancada deverá tomar uma posição favorável", afirmou o deputado.
Por outro lado, Uczai disse que a bancada governista se opõe à Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI), que reúne Câmara e Senado, proposta pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), vice-líder da oposição.
O escopo da CPMI de Jordy é mais abrangente, mirando conexões político-institucionais por trás das fraudes financeiras atribuídas ao Master. O deputado do PL fará uma coletiva de imprensa para detalhar a proposta nesta terça, no Salão Verde da Câmara, e diz já contar com "quase 300 assinaturas" para a abertura.
PF e Banco Central
“A minha posição pessoal é assinar a CPI, permitindo a investigação pela Polícia Federal e pelo Banco Central, a fim de esclarecer as irregularidades no setor financeiro", disse Uczai.
Outras propostas
Atualmente, há três pedidos no Congresso envolvendo comissões para investigar o banco de Daniel Vorcaro:
- Um para criar uma CPI, de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), protocolada na segunda (2);
- Um para criar uma CPMI, de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ);
- E outro também para criar uma CPMI, de autoria das deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).
São necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores para a abertura de uma comissão parlamentar mista.
BRB e Rioprevidência
Nesta terça-feira, dois novos episódios se somaram à crise envolvendo o Master.
A Polícia Federal (PF) abriu um novo inquérito para apurar a suspeita de gestão fraudulenta do BRB e sua relação com o Master.
Em depoimento à PF no dia 30 de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse que o BRB deveria ter identificado fraude nas carteiras de crédito do Master compradas pela instituição.
A PF também prendeu Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, na segunda fase da operação Barco de Papel, no Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, o fundo de previdência do Rio investiu, entre novembro de 2023 e julho de 2024, cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras do Master, instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025.









