Brasil

Ministros do STF e políticos eram alvos da "Abin paralela", investigada pela PF

Operação mira ex-diretor Ramagem e policiais federais, por monitoramento ilegal de autoridades e adversários

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Ricardo Brandt, Felipe Moraes
25/01/2024, 14:13 • Atualizado em 25/01/2024, 17:32
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Fachada da Abin

Fachada da Abin

A Polícia Federal (PF) busca na Operação Vigilância Aproximada, deflagrada nesta quinta-feira (25), aprofundar dados sobre um esquema montado dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para levantar dados de inimigos políticos, obter vantagens pessoais e atrapalhar investigações.

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Entre os alvos está o deputado federal e ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL-RJ), agentes do órgão e policiais federais ligados a ele – o parlamentar é delegado da PF.

Foram realizadas buscas em sua residência e no seu gabinete, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). O alvo foi procurado, mas ainda não se manifestou.

Os alvos da chamada "Abin paralela", investigada pela PF, seriam ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, políticos, a exemplo do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, o ex-governador do Ceará Camilo Santana, atual ministro da Educação, servidores públicos, policiais, advogados e jornalistas.

Jair Bolsonaro e Alexandre Ramagem
Jair Bolsonaro e Alexandre Ramagem

Bolsonaro e Ramagem na posse do então diretor-geral da Abin: aliados políticos

A Operação Vigilância Aproximada faz parte das apurações iniciadas em 2023, que têm como alvo um núcleo paralelo montado dentro da Abin. Esse grupo criminoso usava um programa espião adquirido pela agência, o FirstMile, em 2018 – no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB). Os alvos da ação são policiais federais ligados a Ramagem.

As buscas desta quinta são desdobramento da primeira operação, a Última Milha, de outubro de 2023.

"O grupo criminoso criou uma estrutura paralela na Abin e utilizou ferramentas e serviços daquela agência de inteligência do Estado para ações ilícitas, produzindo informações para uso político e midiático", disse a PF, em nota. O objetivo, segundo a corporação, seria "obtenção de proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal".

A PF descobriu que o software comprado pela Abin usava dados de GPS dos alvos para monitorar ilegalmente adversários via celulares. Quem operava o sistema eram servidores da agência designados para o Centro de Inteligência Nacional (CIN). A unidade, criada na gestão Bolsonaro, era vinculada ao gabinete de Ramagem. A estrutura foi desmontada pelo atual governo.

Nas apurações, descobriu-se que a ferramenta foi usada para acessar mais de 30 mil localizações de celulares, em especial durante as eleições de 2020. A Abin abriu apuração interna e colaborou com as apurações.

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