Delegado da Divisão Antissequestro detalha bastidores das negociações e a mudança do crime com o chamado “golpe do amor”
Fabio Nelson Fernandes explica como atuam as equipes de negociação e investigação, relembra casos marcantes e alerta para a nova face tecnológica dos sequestros



Maria Ferreira dos Santos
Fabio Diamante
Robinson Cerantula
O True Crime desta semana recebe o delegado Fabio Nelson Fernandes, da Divisão Antissequestro. Ao lado de Fabio Diamante e Robinson Cerantula, ele explica por que o sequestro é “um crime que impacta todo um núcleo familiar”.
O delegado detalha como a especializada atua em duas frentes simultâneas: enquanto uma equipe negocia e acolhe a família em desespero, outra trabalha na investigação para identificar e localizar os criminosos. Segundo ele, uma das estratégias do sequestrador é o medo. Ameaças constantes tentam impedir o contato com a polícia, mas acionar as autoridades é, justamente, o que pode romper o ciclo do crime.
Na conversa, Fabio Nelson também explica a estrutura das quadrilhas e o papel central do líder nas negociações. “Em geral, quem negocia é o chefe”, diz. É ele quem controla o dinheiro, estabelece a comunicação com a família.
O episódio ainda analisa a mudança no perfil dos sequestradores e a transformação do crime com o avanço da tecnologia. O delegado descreve o surgimento do chamado “golpe do amor”, modalidade que ganhou força a partir de 2021, impulsionada pela pandemia, pelo uso intensivo de redes sociais, aplicativos de relacionamento e pagamentos instantâneos via Pix. A estratégia passou a atrair homens para encontros marcados, resultando em sequestros-relâmpago e extorsões.
Apesar da pressão, das ameaças e das madrugadas em claro, o delegado diz que há um momento que compensa tudo: a libertação da vítima. Presenciar o reencontro no cativeiro, segundo ele, é “uma emoção indescritível”. É quando o trabalho silencioso da investigação encontra, finalmente, o alívio de uma família inteira.









