Brasil condena Israel por impedir entrada de líderes católicos no Santo Sepulcro
Governo considerou o episódio como de “extrema gravidade” e lembrou do parecer internacional sobre a ocupação israelense no território palestino


Camila Stucaluc
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou a ação policial de Israel que impediu o acesso de autoridades religiosas à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém Oriental, para a celebração da missa do Domingo de Ramos. Em nota emitida no domingo (29), a pasta considerou o episódio como de “extrema gravidade”.
“Essa ação ocorre na sequência da imposição, por autoridades israelenses, de restrições à entrada de fiéis cristãos no referido santuário, assim como de fiéis muçulmanos, durante o Ramadã, na Esplanada das Mesquitas (“Haram Al-Sharif”), também em Jerusalém Oriental”, disse. “Tais ações contrariam o status quo histórico dos locais sagrados e o princípio da liberdade de culto”, acrescentou.
Na nota, o ministério lembrou, ainda, do parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça, de 19 de julho de 2024, que concluiu que “a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita”. “Aquele país [Israel] não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”, frisou a pasta.
O episódio ocorreu em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou em restrições ao acesso de fiéis a locais religiosos na Cidade Velha de Jerusalém, incluindo a Mesquita de Al-Aqsa e o Muro das Lamentações. A medida, segundo Israel, foi implementada para garantir a segurança pública.
Seguindo o parecer, no domingo (29), a polícia israelense impediu o acesso do Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, e do Custódio da Terra Santa, Monsenhor Francesco Ielpo, à Igreja do Santo Sepulcro — construída no local onde cristãos acreditam que Jesus foi crucificado e ressuscitou. A restrição foi a “primeira vez em séculos”, segundo o Patriarcado.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









