Saúde

'Cicada': Nova variante da Covid-19 é identificada em 20 países

Cepa BA.3.2 entrou no radar de autoridades de saúde do mundo todo devido ao alto número de mutações; virologista explica características do vírus

Uma nova variante da Covid-19 entrou no radar de autoridades de saúde do mundo todo. Apelidada de "Cicada" (cigarra, em português), a cepa BA.3.2 já foi identificada em 20 países, incluindo Estados Unidos e China, segundo informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), e chama a atenção de especialistas devido ao alto número de mutações. Ainda não foram registrados casos no Brasil.

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O CDC descreve a variante BA.3.2 como uma linhagem do Sars-CoV-2 (vírus causador da Covid-19) "altamente divergente" por concentrar mais de 70 mutações na proteína usada pelo vírus para se ligar às celulas humanas.

Em entrevista ao jornal News Domingo, o médico virologista e professor da USP, Paulo Eduardo Brandão, esclareceu que, apesar do grande número de mutações, ainda não há indícios científicos que apontem para uma maior letalidade da variante.

"Não tem nada nela, nessas 75 mutações do genoma, que diga que ela é mais agressiva, mais letal ou mais contagiosa. Por enquanto, não se sabe se ela é mais transmissível. Inclusive, ela tem um pouquinho de dificuldade até em se ligar nas nossas células. Algumas das mutações são boas para o vírus, mas algumas acabam sendo não tão boas. Então ela chega, entra nas nossas células, mas tem um pouco mais de dificuldade até que as outras variantes", explicou o virologista.

Paulo Eduardo Brandão também comentou sobre o significado do apelido "Cicada". A referência às cigarras se deve ao fato de a variante ter passado muito tempo "escondida" antes de começar a aparecer em números relevantes, assim como o inseto, que vive longo período embaixo da terra antes de surgir em grandes números.

"As cigarras levam às vezes 17 anos para sair da terra, para ficar adultas. Então, essa [variante] ficou circulando um grande tempo já, desde 2024 ela existe. E ficou meio que incubando ali, embaixo da terra, por assim dizer, como uma cigarra. E aí surgiu, como mais frequência", observou o médico. Segundo o CDC, a BA.3.2 foi detectada pela primeira vez em novembro de 2024, na África do Sul.

Apesar de as vacinas disponíveis atualmente terem sido desenvolvidas para a linhagem Ômicron do Sars-CoV-2, o virologista destacou a importância da imunização, principalmente, para evitar o surgimento de novas variantes, cada vez mais contagiosas e letais.

"Quanto mais eu tiver vacinado, quanto mais vacinas em dia eu tiver para Covid, mais chance de armar uma defesa que consiga pegar essas pequenas mutações aí, né? (...) A duração da imunidade para o coronavírus é muito baixa, menos de um ano. Você junta isso a um vírus que muta muito rápido e a pessoas que ficam muito juntas, é o que o vírus quer para se transmitir. Então, isso pode dar a chance de cada vez mais surgirem variantes que, talvez, sejam mais agressivas e que vai dar mais transmissão, né? Lembrando que a vacinação não é para impedir a doença, é para ter sintomas mais suaves sempre, né? Por isso, também todo mundo tem que ter a vacinação em dia de Covid e de todas as outras doenças, para não ter complicação por Covid", concluiu o médico e professor da USP, Paulo Eduardo Brandão.

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