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Netanyahu diz que não vai estabelecer prazo para guerra contra o Irã

Primeiro-ministro israelense disse que metade dos objetivos do conflito já foram alcançados

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Netanyahu, premiê de Israel | Reprodução

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira (30) que não irá definir um cronograma para acabar com a guerra contra o Irã. Segundo ele, a ofensiva, que ocorre ao lado dos Estados Unidos, segue avançando, visando impedir que Teerã consolide capacidade nuclear militar.

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"Já ultrapassamos a metade do caminho em termos de sucesso da missão. Estamos fazendo progressos constantes”, disse Netanyahu, em entrevista ao site norte-americano Newsmax. “Acho que esse regime [iraniano] pode colapsar internamente. Mas, neste momento, o que estamos fazendo é enfraquecer a capacidade militar, de mísseis e nuclear deles, além de pressionar o país por dentro”, acrescentou.

Ao site, Netanyahu afirmou que o foco atual das Forças de Defesa é atingir o estoque de urânio enriquecido do Irã para evitar que o país tenha material que possa viabilizar uma arma nuclear. Paralelamente, o premiê citou que as tropas destruíram fábricas de mísseis e mataram cientistas importantes do país. Tais condições, para ele, atrapalharam possíveis ambições de Teerã.

As declarações de Netanyahu ocorrem em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã para um acordo de paz. Apesar de cogitar uma ofensiva terrestre no país, o presidente Donald Trump vem pressionando o regime iraniano a aceitar um cessar-fogo, visando permitir a reabertura do Estreito de Ormuz — rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial.

No domingo (29), Trump disse que as negociações com Teerã estavam progredindo. A fala, no entanto, foi rejeitada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, que disse que não teve nenhuma negociação direta com Washington até o momento. O que houve foram mensagens recebidas por meio de intermediários, indicando o interesse dos Estados Unidos em negociar", disse.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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