Israel ataca Irã em meio a comemorações do Ano Novo Persa
Teerã respondeu lançando mísseis e drones contra Tel Aviv e alvos no Golfo Pérsico


Camila Stucaluc
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) lançaram novos ataques contra o Irã nesta sexta-feira (20). Os bombardeios atingiram a capital, Teerã, em meio às comemorações do Nowruz (Ano Novo Persa), que marca o início da primavera no país.
Ao mesmo tempo, o Exército dos Estados Unidos segue atuando na costa do Irã, atacando alvos do regime. Na noite anterior, o Comando Central norte-americano informou que destruiu uma fábrica de mísseis balísticos em Teerã, bem como navios que ameaçavam o transporte internacional dentro e próximo ao Estreito de Ormuz.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel. Bombardeios também foram relatados nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein, onde os Estados Unidos possuem bases militares. Além das instalações, os iranianos seguem mirando refinarias de petróleo e produtoras de gás, em retaliação ao bombardeio israelense no campo de gás South Pars.
A escalada das hostilidades ao setor de energia preocupa o mercado global, que, na quinta-feira (19), registrou alta de 35% no preço do gás europeu. Em meio ao cenário, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acatou o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender futuros ataques contra campos de gás no Irã.
Recado de Netanyahu
Na terça-feira (17), Netanyahu divulgou um vídeo cumprimentando os iranianos pelo Ano Novo Persa. Na gravação, o premiê israelense fala de "um novo começo" para a população, em menção a um possível novo regime no Irã, dizendo que "o bem triunfará sobre o mal".
"Ao bravo povo do Irã, desejo a vocês — como faço todos os anos — um feliz período de festas, começando com o festival das luzes. Ele simboliza a antiga crença do povo iraniano de que a luz triunfará sobre as trevas e o bem triunfará sobre o mal neste ano. Aproveito esta oportunidade para desejar a todos um feliz Nowruz — um ano de liberdade e novos começos. Desejo esperança a todos os meus queridos amigos”, disse Netanyahu.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









