PF encontra foto de Cezinha com Mendonça em casa de deputado
Imagem estava em imóvel do parlamentar em São Paulo; Cezinha é investigado por suspeita de negociar influência sobre decisões de tribunais superiores

A Polícia Federal encontrou, durante as buscas realizadas na casa do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), em São Paulo, uma fotografia do parlamentar ao lado do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e da mulher do magistrado, Janey Mendonça.
A imagem estava no imóvel de Cezinha, que é próximo de Mendonça e já havia atuado como articulador de um encontro entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. A reunião ocorreu em março de 2025, fora da agenda oficial de Mendonça. O ministro confirmou o encontro e afirmou que apenas ouviu Vorcaro sobre uma questão relacionada a precatórios.
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Cezinha foi alvo, nesta segunda-feira (14), da terceira fase da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo a investigação, o deputado teria usado o trânsito que mantinha com ministros de tribunais superiores para intermediar interesses de terceiros em processos judiciais. A PF apura a suspeita de que integrantes do grupo negociavam pagamentos elevados condicionados ao resultado de ações em tramitação.
Em um dos casos citados na investigação, os valores envolvidos poderiam chegar a R$ 2 milhões. Mensagens analisadas pelos investigadores indicam que Cezinha teria mantido contatos diretos com ministros para tratar de processos de interesse de clientes. Entre os magistrados mencionados estão André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes. Nenhum deles é alvo da investigação.
A investigação também alcança a advogada Valéria Rodrigues Linhares, que aparece nos documentos como ligada ao deputado. Ela nega ser esposa de Cezinha. Segundo sua assessoria, Valéria foi casada por 24 anos com o pai de seus filhos e está divorciada há cerca de um ano e meio.
Valéria é advogada, empresária e foi candidata a deputada distrital pelo PSD no Distrito Federal em 2018. Ela também é alvo da Operação Transparência.
Em agosto, a Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil em espécie que estavam na bagagem de mão de Valéria no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ela tentava embarcar para Brasília quando o dinheiro foi localizado durante a inspeção de segurança. A defesa afirma que os recursos têm origem lícita e que apresentaria documentação para comprovar a procedência do valor.
A PF também investiga a atuação da advogada Mariângela Fialek, apontada como uma das pessoas que mantinham contato com Cezinha e Valéria. A apuração teve origem em uma investigação sobre possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares e, com a análise de mensagens e outros elementos, passou a incluir suspeitas relacionadas à atuação junto a tribunais superiores.
Apesar de ministros do STF aparecerem nas conversas analisadas pela PF, a decisão que autorizou a operação ressalta que não há, até o momento, elementos indicando participação de integrantes do Judiciário no suposto esquema. A investigação, portanto, está concentrada na atuação de Cezinha, Valéria e outros envolvidos.
A defesa de Cezinha afirmou que o deputado está à disposição das autoridades e que prestará todos os esclarecimentos necessários. Segundo os advogados, o parlamentar confia que o processo demonstrará que nenhuma irregularidade foi cometida.

























