Análise: crise no STF é política, mas ainda não mexe no voto
Os votos parecem tão calcificados que nem os escândalos são capaz de tirar as certezas dos fiéis eleitores de Lula e Flávio

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR e Divulgação/Charles Vieira
O Supremo Tribunal Federal vive tempos de colapso intramuros, e muito se espera do resultado dessa crise para além da Praça dos Três Poderes. Afinal, muito — talvez quase tudo do que se viu recentemente — tem motivação política.
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De um lado, Alexandre de Moraes, que acabou atrelado ao governo Lula desde os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro. Do outro, André Mendonça, indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Enquanto isso, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, principal herdeiro político do ex-presidente, que está preso, vivem dias de tensão. A dúvida é até onde as relações de ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, vão respingar na disputa eleitoral.
Os holofotes estão voltados para o Supremo. E a imprensa, por se tratar de um assunto de interesse público, faz o seu papel ao cobrir amplamente os fatos.
Mas, no frigir dos ovos, os votos parecem tão calcificados — como gostam de dizer os analistas políticos — que nada disso é capaz de tirar as certezas dos fiéis eleitores de Lula e Flávio.
Não é palpite. Uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra exatamente isso.
Segundo o levantamento, 85% dos entrevistados disseram que não mudaram de voto depois de tomar conhecimento da troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Outros 7% disseram que não mudaram, mas ficaram em dúvida. Apenas 4% afirmaram ter mudado de voto, enquanto outros 4% não souberam responder.
O impacto foi praticamente o mesmo quando a questão envolveu o pedido de Alexandre de Moraes para que André Mendonça fosse investigado. O ministro se baseou em relatórios de inteligência da Polícia Federal que, segundo a própria corporação, não possuem valor probatório.
Nesse caso, 86% disseram que não mudaram o voto para presidente ao saber do pedido de investigação. Outros 7% não mudaram, mas ficaram em dúvida. Apenas 2% disseram ter alterado o candidato e 4% não souberam responder.
A conclusão parece simples: quem não soltou a mão do seu candidato até agora, provavelmente não solta mais.
Vai até o fim.
E é aí que começa, de fato, a disputa eleitoral.
Lula e Flávio devem se engalfinhar ainda mais no segundo turno. Para Flávio, o caminho pode estar pavimentado com os votos de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema — na teoria, ele teria condições de herdar boa parte desse eleitorado.
Lula, por outro lado, precisa convencer quem não quer votar a sair de casa. É esse o caminho da disputa eleitoral.
A crise no STF, porém, é outra história.
Ela pode ter motivação política, pode ser atravessada pela eleição e pode produzir uma guerra de versões entre os grupos que disputam o poder. Mas, até aqui, não parece ter força para mudar aquilo que realmente importa numa eleição: o voto.
A corrosão institucional do Supremo, entretanto, não se mede apenas pela urna. E essa talvez seja a parte mais preocupante de toda essa história.























