Messias vira alvo por falta de atuação junto a Mendonça
Atuação de ministros do AGU decepcionou ala do Planalto, que avalia que afastamento de chefe da PF poderia ter sido evitado

Fachin, Lula, Messias e Gonet em cerimônia de sanção de projetos no Planalto | Reprodução/YouTube
A proximidade entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, passou a causar incômodo entre auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mendonça determinou nesta terça-feira (8) o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro alegou que a inteligência da PF teria produzido relatórios com informações e análises sobre sua atuação e também sobre Jorge Messias.
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Segundo integrantes do governo ouvidos pela coluna, Messias não teria atuado da maneira esperada para tentar evitar que a crise envolvendo Mendonça e a Polícia Federal chegasse ao ponto do afastamento de Andrei.
Na avaliação desses interlocutores, a relação de proximidade entre Messias e Mendonça poderia ter permitido uma atuação preventiva do advogado-geral da União para tentar reduzir as tensões entre o governo, a PF e o ministro do STF.
A avaliação de integrantes do Planalto é que o episódio pode ter consequências para a indicação de Messias ao Supremo. O nome dele foi escolhido por Lula para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A indicação, porém, foi rejeitada pelo Senado em abril deste ano, por 42 votos a 34.
O que diz Mendonça
Na decisão que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues, Mendonça afirma que foi alvo de um monitoramento que considera ilegal e sistemático por parte da inteligência da PF.
Os documentos analisados pelo ministro também fazem referências à atuação de Jorge Messias. Segundo Mendonça, os relatórios teriam feito ilações sobre a relação entre os dois e sugerido que uma decisão do advogado-geral da União poderia ter sido influenciada pela proximidade entre ambos.
Em um dos trechos citados na decisão, o relatório menciona a existência de uma "matriz religiosa comum" entre Mendonça e Messias e relaciona esse fator à decisão de Messias de não acatar uma solicitação da direção da PF para recorrer de uma decisão judicial.
Mendonça classificou essa análise como uma acusação "abjeta e leviana".
O ministro também afirmou que a divulgação e utilização dos relatórios representam uma violação das prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial.













