Apoio de presidente da OAB a Gonet provoca bate-boca
Presidente nacional da Ordem declarou confiança na “honra e integridade” do PGR horas após entidade pedir que ele se afaste do caso Banco Master

O procurador-geral da República, Paulo Gonet | Rosinei Coutinho/STF
O apoio público do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, provocou uma discussão no grupo institucional de WhatsApp que reúne os presidentes das seccionais da entidade nos estados e no Distrito Federal.
A declaração de Simonetti ocorreu horas depois de a própria OAB pedir que Gonet se afastasse da atuação no caso Banco Master, por ter sido citado em mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em declaração ao site JuriNews, patrocinado pela OAB, Simonetti afirmou ter “confiança na honra e na integridade de Paulo Gonet”.
“Tenho profundo respeito por sua trajetória e pela seriedade com que ele exerce suas responsabilidades”, afirmou.
Simonetti também disse que Gonet é “um jurista com sólida formação e um homem público comprometido com a Constituição, com a independência de suas funções e com os interesses do país”.
“Expresso minha convicção sobre a probidade de Paulo Gonet porque isso significa ser responsável. Confio em seu caráter, em seu equilíbrio e em seu compromisso com o cumprimento do dever. Sua honra e sua integridade merecem meu respeito e meu testemunho público de confiança”, declarou o presidente da OAB.
A declaração foi compartilhada no grupo de presidentes das seccionais da Ordem e provocou reação de Luiz Fernando Casagrande Pereira, presidente da OAB do Paraná.
Pereira classificou a manifestação como “gravíssima e vergonhosa” e afirmou que ela representava “um desrespeito sem precedentes com o colégio”.
“O colégio acabou. Usar um veículo que recebe dinheiro do Conselho Federal”, escreveu Pereira, em referência ao JuriNews.
Simonetti respondeu que havia dado apenas uma opinião pessoal e questionou o presidente da OAB-PR:
“Por que só você faz o que é certo, Pereira?”, escreveu.
A discussão ocorreu em meio a uma divergência sobre a posição institucional da OAB no caso envolvendo o Banco Master.

O pedido da OAB
Na quarta-feira (9), representantes da OAB nos estados e no Distrito Federal assinaram um documento em que pedem que Paulo Gonet não atue pessoalmente no caso Master.
A entidade argumenta que, diante da citação do nome do PGR em mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, o afastamento de Gonet é necessário para preservar a confiança e a credibilidade na condução do processo.
Segundo a OAB, a função poderia ser exercida pelo substituto legal de Gonet, “sem qualquer prejuízo à atuação constitucional do Ministério Público Federal”.
O presidente do STF, Edson Fachin, também pediu explicações a Gonet sobre as mensagens. O prazo para a manifestação termina nesta sexta-feira (11).
Tentativa de apaziguar a discussão
Após a troca de mensagens entre Simonetti e Pereira, outros presidentes de seccionais e integrantes da direção nacional da OAB tentaram conter a discussão no grupo.
Participaram da conversa, entre outros, Rose Morais, secretária-geral da OAB; Erinaldo Dantas, presidente da OAB-CE; Gedeon Potaluga, presidente da OAB-TO; e Ingrid Zanella, presidente da OAB-PE.
A discussão expôs uma divergência dentro da entidade sobre a forma como a OAB deve se posicionar publicamente diante da situação envolvendo o procurador-geral da República.
De um lado, a entidade formalizou um pedido para que Gonet se afaste pessoalmente do caso Master. De outro, o presidente nacional da Ordem manifestou publicamente confiança na honra e na integridade do procurador-geral.
Veja prints da discussão:




























