Mendonça diz à PF não conseguir acessar celular de Vorcaro
Ministro pediu auxílio técnico à corporação e a verificação do material enviado ao gabinete na quinta-feira (17)

Ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou à Polícia Federal neste sábado (19) que não conseguiu acessar os dados do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, enviados pela corporação ao seu gabinete.
Em ofício encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Mendonça afirmou que os dados permanecem indisponíveis para análise. Segundo o ministro, o problema pode estar relacionado a dificuldades técnicas ou a algum defeito no material entregue.
“Até o presente momento, seja por dificuldades de ordem técnica operacional, seja por algum tipo de defeito contido na mídia entregue, este Gabinete não logrou êxito em obter acesso efetivo ao material ali contido”, afirmou.
Diante do problema, Mendonça pediu auxílio técnico à PF e solicitou que a corporação verifique a integridade do material entregue ao gabinete para permitir o acesso aos dados.
A cópia da mídia chegou ao gabinete de Mendonça na quinta-feira (17). O material contém dados extraídos de um iPhone 17 Pro apreendido em 18 de novembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Entenda o caso
Mendonça e o ministro Luiz Fux solicitaram acesso ao conteúdo na quarta-feira (16), um dia depois da sessão convocada para decidir sobre a abertura de um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes por suposta relação com Vorcaro.
O material, que apresenta conversas entre Moraes e o ex-banqueiro, é o mesmo encaminhado anteriormente pela PF aos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e ao próprio Moraes.
Antes da sessão de terça-feira (15), Zanin havia pedido a Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, acesso direto aos dados do celular de Vorcaro. Segundo o ministro, o material era necessário para embasar a votação, já que cabe a cada julgador definir “os elementos necessários para a formação de sua convicção”.
Mendonça respondeu que os elementos necessários ao julgamento já estavam disponíveis. Ele afirmou ainda que a PF havia entregado voluntariamente ao seu gabinete, em envelope lacrado, uma cópia de segurança dos dados extraídos do aparelho. Segundo o ministro, o conteúdo permanecia inacessível e ele “nunca o manuseou”.
No domingo (13), a PF informou ao presidente do STF, Edson Fachin, que poderia compartilhar cópias do material com os ministros sem prejuízo à cadeia de custódia. Zanin e Gilmar solicitaram, então, o conteúdo diretamente à corporação.

























