Política

Lula tenta conter avanço de Flávio na reta final do 1º turno

Presidente mira reduzir desgaste causado pelo STF; senador quer avançar no Nordeste

Avatar de Túlio Amâncio
Túlio Amâncio
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR e Divulgação/Charles Vieira

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR e Divulgação/Charles Vieira

Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entraram em uma fase de forte concentração de esforços. Com a disputa apertada nas pesquisas, os dois candidatos vão intensificar agendas no Sudeste e no Nordeste e tentar consolidar votos antes da votação.

Para Lula, a chamada prioridade número zero é evitar que a crise envolvendo o Banco Master e o Supremo Tribunal Federal (STF) domine o debate eleitoral. A avaliação no entorno do presidente é que o caso desgasta a candidatura e tira espaço de temas considerados mais favoráveis ao governo. A estratégia, por isso, é deslocar o foco para a disputa direta com Flávio, para a economia e para a agenda social.

O presidente também precisa conter o avanço de Flávio no Sudeste, região que reúne 41,8% do eleitorado brasileiro. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram a maior parte desse contingente e devem receber atenção especial na reta final. Minas, em particular, é tratado como um estado estratégico pelas duas campanhas. Lula ainda pretende preservar sua vantagem no Nordeste, com agendas previstas na Bahia e em Pernambuco.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Nesse movimento, Lula passou a atacar Flávio Bolsonaro de forma mais direta. O presidente tem associado o adversário ao caso Banco Master e procurado levar para a disputa eleitoral a relação do episódio com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A intenção é evitar que a crise fique restrita ao STF e transferir parte do desgaste para o campo bolsonarista.

Outro foco da campanha petista é reduzir a distância entre Lula e Flávio entre mulheres e evangélicos. O PT ampliou a comunicação direcionada aos evangélicos e passou a explorar temas que possam dialogar com esse eleitorado. A campanha também aposta em assuntos como endividamento das famílias e apostas esportivas para tentar ampliar a comunicação com as mulheres.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro chega à reta final tentando manter o discurso antissistema, com o Supremo como um dos principais alvos. A campanha pretende apresentar o candidato como aquele que teria disposição para enfrentar a Corte e apoiar medidas como o impeachment de ministros do STF. O objetivo é manter mobilizado o eleitorado bolsonarista e transformar a crise institucional em um dos principais temas da eleição.

Ao mesmo tempo, Flávio vai concentrar esforços no Sudeste, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. A campanha busca ampliar sua vantagem em São Paulo e avançar em Minas, enquanto tenta preservar o desempenho no Rio de Janeiro. Depois de uma passagem pelo Nordeste, o candidato também terá novas agendas na região.

A outra frente é justamente reduzir a vantagem de Lula no Nordeste. Flávio programou agendas no Rio Grande do Norte e no Maranhão e tenta diminuir a diferença na região sem abandonar os grandes colégios eleitorais do Sudeste. A estratégia das duas campanhas revela uma disputa pelo mesmo mapa: Lula precisa preservar sua força no Nordeste e recuperar espaço no Sudeste; Flávio tenta consolidar o avanço no Sudeste e diminuir a distância no Nordeste.

Segurança Pública

Flávio também deve reforçar o discurso de segurança pública. O combate a facções criminosas e milícias continuará entre os principais temas da campanha, com defesa de medidas mais duras contra organizações criminosas. A segurança funciona como uma das principais pontes do candidato com o eleitorado de direita.

Na prática, a reta final já ganhou características de segundo turno, embora a votação ainda seja a do primeiro. Lula tenta impedir que a crise do STF e do Banco Master contamine sua campanha, enquanto Flávio procura transformar justamente a crise institucional em combustível eleitoral. No meio disso, os dois disputam os mesmos eleitores e territórios que podem definir a composição da corrida na etapa seguinte.

Mais da Coluna do Túlio

Últimas notícias de Política