Política

Lula vai à ONU preparado para eventual encontro com Trump

Apesar de não haver reunião bilateral confirmada, Planalto preparou presidente para falar sobre eleições e defender sistema eleitoral brasileiro

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Túlio Amâncio
Presidente Lula e presidente dos EUA, Donald Trump, se reúnem na Casa Branca, em Washington D.C. | Foto: Ricardo Stuckert/PR - 07.05.2026

Presidente Lula e presidente dos EUA, Donald Trump, se reúnem na Casa Branca, em Washington D.C. | Foto: Ricardo Stuckert/PR - 07.05.2026

O Palácio do Planalto trabalha com a possibilidade de um encontro informal entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Não há, porém, reunião bilateral prevista entre os dois presidentes.

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A expectativa do governo brasileiro é que os dois possam se cruzar nos corredores ou nos bastidores da sede das Nações Unidas. Lula e Trump terão discursos consecutivos na terça-feira (22): o presidente brasileiro fará a abertura da sessão, seguido pelo norte-americano.

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Desta vez, Lula chega preparado para uma eventual conversa. Segundo integrantes do governo, o presidente pretende abordar as eleições brasileiras e defender a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas.

O governo também preparou informações sobre o sistema eleitoral brasileiro que poderão ser apresentadas a Trump caso o assunto seja tratado durante um eventual contato entre os dois.

A avaliação de integrantes da diplomacia brasileira é que Trump não teria informações suficientes sobre o funcionamento do processo eleitoral brasileiro. O governo também demonstra preocupação com declarações e pressões vindas de setores do governo americano, especialmente do Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio.

A possibilidade de uma conversa ganhou importância diante do histórico recente da relação entre os dois países. Em setembro de 2025, Lula e Trump tiveram um encontro rápido e inesperado nos bastidores da Assembleia Geral. A interação durou cerca de 40 segundos e acabou abrindo espaço para uma retomada do diálogo entre os dois governos.

Desde então, os presidentes voltaram a conversar e tiveram outros contatos, mas a relação bilateral voltou a enfrentar momentos de tensão. Entre os principais pontos de atrito estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, além de sanções e restrições de vistos adotadas pelo governo americano.

Agora, às vésperas das eleições brasileiras, a questão eleitoral entrou novamente no centro da relação entre os dois países. Lula tem afirmado publicamente que pretende pedir a Trump que não interfira no processo eleitoral brasileiro.

A preocupação ganhou força após o governo brasileiro identificar riscos de influência externa nas eleições. Relatório reservado da Abin apontou a possibilidade de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral deste ano e uma tendência de aumento da pressão americana sobre o Brasil.

Nesse cenário, a passagem de Lula por Nova York terá também um componente diplomático. Além de defender o multilateralismo e a soberania nacional em seu discurso na ONU, o presidente brasileiro terá a oportunidade de transmitir diretamente a Trump a posição do governo sobre as eleições — caso os dois consigam conversar novamente nos bastidores.

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