Política

Governo deve ter seriedade para atrair capital, diz Lula

Presidente afirmou que país precisa ter "responsabilidade jurídica e fiscal", mas fez críticas a privatizações e não sinalizou arrocho nas contas públicas

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Por Victor Schneider
Presidente Lula (PT) em discurso no Planalto | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula (PT) em discurso no Planalto | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (5), depois da 1ª reunião do Conselho para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, que seu quarto governo terá que "demonstrar seriedade" para atrair investimentos. Para isso, Lula defendeu a importância de acenar ao mercado com “responsabilidade jurídica e fiscal", sem detalhar.

A declaração vem em um momento em que o presidente tem consultado interlocutores para discutir qual será a estratégia para conter a alta do endividamento público sem cortar os investimentos sociais, que são marcas de suas gestões.

Lula esteve mais cedo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e outros economistas com visão mais 'amigável' ao governo, em um encontro inicial para ouvir opiniões sobre como conciliar as duas demandas. A reunião terminou sem definições.

Ao celebrar a importância do conselho mineral, Lula não indicou estar convencido da necessidade de um arrocho fiscal, como Durigan e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, tentam sinalizar ao mercado como intenção do governo. O discurso foi recheado de críticas a privatizações anteriores, como as da Eletrobras e da Vale, e também à venda de refinarias da Petrobras.

Para o presidente, a estratégia nacional para minerais críticos vai, acima de tudo, permitir ao país ter uma chance de agregar valor à sua indústria e aproveitar uma nova oportunidade de crescimento, ao contrário de ocasiões desperdiçadas em anos anteriores, quando o comando do país entregou riquezas a “preço de banana”.

“Muitas vezes teve uma elite política que tinha comportamento de vira-lata, se submetia a tudo e a todos sem questionar. […] Se o país não é governado por gente séria, essas coisas são vendidas a preço de banana, porque o lucro não é coletivo, é de uma pessoa que quer vender e vende”, criticou.

Ainda com a voz rouca do período de campanha, Lula destacou que a estratégia não implica que o governo seja o “senhor supremo” das etapas de exploração, transformação e industrialização, mas que coordenará a cadeia e, por isso, está aberto a parcerias público-privadas com mútuo benefício.

Para isso, segundo Lula, será preciso ter uma “economia arrumada”, mas que priorize um saldo que possa render benefícios à população

Em uma indireta ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República e que deixou o Brasil após o segundo turno, ao dizer que a vitória virou “exemplo” pelo mundo e que permitiu que o Brasil não “caísse em um abismo de incertezas".

“Desse lado estão as pessoas que não fogem da luta, que acreditam no país e que querem construir um Brasil não para poucos interesses econômicos, mas um que explore todos os nossos minerais em benefício do povo brasileiro", afirmou.

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