Pesquisas esfriam tese de domínio do Senado por bolsonarismo
Levantamentos apontam equilíbrio entre favoritismo de bolsonaristas e governistas, mas há fatores ainda que podem influenciar definição do eleitor

Plenário do Senado na abertura dos trabalhos em 2026 | Divulgação/Marcos Oliveira/Agência Senado
A fotografia atual das pesquisas para o Senado confirma a possibilidade de crescimento da ala mais identificada com o bolsonarismo a partir de 2027, mas, por ora, deixa relativamente distante o objetivo traçado por Jair Bolsonaro (PL) e aliados: o de assumir maioria na Casa para eleger o presidente e aprovar processos de impeachment de ministros do STF.
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Levantamento do SBT News das mais recentes pesquisas mostra que, das 54 vagas que estarão em disputa em outubro, 19 têm candidatos alinhados ao bolsonarismo na liderança (fora da margem de erro ou numericamente) para obtenção de uma vaga.
Já 20 candidatos próximos ao governo Lula se encontram na mesma situação, além de 10 outros sem alinhamento automático com nenhum dos dois campos, mas igualmente favoritos por ora a uma vaga.
Em relação a 5 cadeiras não é possível ainda uma projeção.
Como 15 senadores classificados no campo bolsonarista foram eleitos em 2022 e têm mandato até 2031, o grupo chegaria a 34 das 81 cadeiras da Casa na configuração apontada hoje pelas pesquisas.
São sete a menos que os 41 necessários para formar maioria absoluta e 20 abaixo dos 54 votos exigidos para condenar e afastar um ministro do Supremo em processo por crime de responsabilidade.
Pesquisas ao Senado devem ser vistas com cautela, porém, já que o eleitor tende a se informar melhor e definir candidatos ao Congresso e às Assembleias Legislativas mais próximo ao pleito.
Além disso, a campanha oficial começa no próximo domingo (16) e a propaganda na TV e rádio, no dia 28.
Ou seja, há ainda muito espaço para mudança nas intenções de voto até o primeiro turno, em 4 de outubro.
O objetivo bolsonarista se mostra mais difícil ao se considerar também pesquisa da Quaest deste mês que mostrou que o principal critério citado para a escolha de senador é a capacidade de “trazer emendas e obras para o estado”, apontada por 31% dos entrevistados.
A defesa do impeachment de ministros do STF aparece bem atrás, com 11% –atrás, inclusive, dos 15% que dizem priorizar um candidato indicado por Lula e de 13% que preferem alguém comprometido com o fim da escala 6x1.
Neste ano, serão eleitos dois senadores por cada unidade da federação, o que vai renovar 54 das 81 cadeiras do Senado.
Bolsonaro transformou a eleição do Senado em prioridade e calculava ser possível eleger até 35 candidatos de seu campo, o que permitiria ultrapassar a barreira dos 41 senadores em 2027.
O ex-presidente participou diretamente da escolha de nomes do PL para a disputa. Em live há alguns dias Flávio Bolsonaro anunciou publicamente o apoio a 47 candidatos ao senado.
Na terça-feira (11), reuniu em Brasília cerca de 20 desses nomes para gravação de vídeos para a propaganda eleitoral.
Durante o encontro, Flávio perguntou aos candidatos se, eleitos, apoiariam o impeachment de Alexandre de Moraes. Vários responderam em coro que sim.
Representações contra ministros do Supremo são apresentadas à Casa e passam pela presidência, responsável pelo despacho das proposições.
O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) nunca deu sequência aos vários pedidos de impeachment contra Moraes e outros ministros feitos por bolsonaristas. Nunca na história houve sequer a abertura de processo de impeachment de ministro do STF.
As pesquisas mostram que, apesar de estar relativamente distante do objetivo inicial, o bolsonarismo tem possibilidade concreta de conquistar as duas cadeiras em alguns estados.
Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL e Carol de Toni (PL), estão na liderança pelas duas vagas. No Mato Grosso, o quadro é parecido: com Mauro Mendes (União Brasil) e Janaina Riva (MDB) à frente nas sondagens eleitorais.
Situação semelhante aparece no Amapá, onde a Paraná Pesquisas registrou Rayssa Furlan (Podemos) com 60% e Lucas Barreto (PSD) com 37,7%, e no Acre, onde Gladson Cameli (PP) e Márcio Bittar (PL) ocupam hoje as duas posições projetadas.
O problema para o plano de domínio da Casa é que o movimento se repete no sentido contrário em outros estados.
Na Bahia a Quaest de 29 de julho aponta Rui Costa (PT), com 22%, e Jaques Wagner (PT), com 16%, na liderança. Na Paraíba, pesquisa TDL apontou João Azevêdo (PSB), com 53%, e Veneziano Vital do Rêgo (MDB), com 34%.
Há estados em que as pesquisas indicam uma disputa apertada.
No Distrito Federal, a Paraná Pesquisas mostrou Leila Barros (PDT), com 39,2%, e Michelle Bolsonaro (PL), com 36%.
Em Alagoas, o mesmo instituto apontou Arthur Lira (PP), apoiado pelo bolsonarismo, com 39,8%, e Renan Calheiros (MDB), do campo lulista, com 36,4%.
No Ceará, Cid Gomes (PSB), com 21%, e Capitão Wagner (União Brasil), com 16%, lideram, de acordo com a Quaest.
É principalmente essa combinação— duplas bolsonaristas em alguns estados, duplas governistas em outros e divisão das vagas em vários dos maiores colégios eleitorais— que, na fotografia atual, dificulta a formação de um bloco próprio de 41 senadores para qualquer dos lados.
Esse cenário, se confirmado, tende a beneficiar a provável candidatura a reeleição de Alcolumbre já que, seja quem vencer a eleição presidencial, o senador do Amapá teria na aliança entre centrão e o grupo derrotado o colchão de apoio que evitaria a perda da cadeira para um nome escolhido pelo presidente eleito.
Mesmo sem uma bancada própria de 41 integrantes, o bolsonarismo pretende mesmo assim disputar a presidência da Casa em fevereiro de 2027 em caso de vitória de Flávio.
Dois dos mencionados são Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a ser convidada para a vice do presidenciável.
Mesmo se o bolsonarismo repetisse em 2026 o desempenho excepcional de 2022, quando conquistou 56% das vagas em disputa, chegaria a cerca de 45 senadores —maioria da Casa, mas ainda distante dos 54 exigidos para condenar um ministro do STF.
Para alcançar os dois terços do Senado, o grupo precisaria conquistar 39 das 54 vagas renovadas neste ano, uma taxa superior a 70%. Seria necessário, por exemplo, vencer ao menos uma disputa em todos os estados e ficar com as duas cadeiras em 12 deles.

























