Iander Porcella
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Coluna do Iander

Com extensão em Jornalismo Econômico, Iander Porcella atuou na Coluna do Estadão e na Agência Estado, cobrindo os bastidores da política em Brasília e o Congresso Nacional. Em São Paulo, especializou-se na cobertura de mercados financeiros globais.

Política

"Flávio Day 2.0": mercado financeiro dá apelido irônico a crise do Master e teme novas revelações

Investidores têm procurado interlocutores das campanhas presidenciais para entender tamanho da crise na campanha de Flávio Bolsonaro e ouvir avaliações

Imagem da noticia "Flávio Day 2.0": mercado financeiro dá apelido irônico a crise do Master e teme novas revelações
Fontes da PF confirmam veracidade de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
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Investidores têm se referido ao desgaste inicial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o caso Master como "Flávio Day 2.0". A expressão, comum no mercado financeiro, é usada quando um acontecimento político mexe de forma significativa com ativos como dólar e bolsa de valores. Nos bastidores, integrantes do mercado têm procurado entender até que ponto vai a relação do pré-candidato à Presidência com Daniel Vorcaro. O temor é de que, com novas revelações, venha um "Flávio Day 3.0".

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Na última quarta-feira (13), após o site Intercept Brasil publicar um áudio em que Flávio cobrava de Vorcaro dinheiro para a produção de um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o dólar disparou e o Ibovespa, índice da bolsa brasileira, caiu. A situação foi comparada ao que investidores chamam de "Flávio Day 1.0": o dia em que o senador anunciou que havia sido escolhido pelo pai para disputar o Palácio do Planalto, em dezembro de 2025. Naquela ocasião, também houve forte impacto negativo nos ativos financeiros.

O mercado reagiu mal na semana passada porque previu um enfraquecimento da candidatura de Flávio. Refratários a políticas econômicas de governos de esquerda, os investidores costumam preferir nomes da direita na eleição presidencial - e o senador é o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesse campo. Ao precificarem uma chance maior de vitória de Lula, operadores venderam ações (o que fez a bolsa cair) e apostaram na desvalorização do real contra o dólar.

Desde então, gestores do mercado têm procurado interlocutores das campanhas presidenciais para entender o tamanho da crise e ouvir avaliações sobre o cenário eleitoral. O diagnóstico é de que houve abalo na campanha de Flávio, mas que o senador pode se recuperar se não houver novas revelações sobre a relação dele com Vorcaro. Há uma avaliação também de que o desgaste de Flávio não deve se converter em votos para a terceira via e, além disso, pode fazer o eleitor indeciso escolher Lula.

Em dezembro, a reação negativa ocorreu porque, até então, o mercado apostava no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para o Planalto. Tarcísio era visto como um candidato mais viável por não carregar a rejeição do sobrenome Bolsonaro.

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